28/08/2026
O fogo
O fogo tem, para mim, uma espécie de magia. O seu crepitar alegre na lareira é tão diferente do uivo assustador das chamas quando se aproximam de casas e florestas.
Chegámos e a casa estava fria. Não era um frio desagradável ou intolerável, mas aquele fresco que nos faz querer, quase de imediato, colocar algumas achas na lareira. O canto do lume é sempre o meu lugar favorito.
Gosto das Sete Cidades em qualquer estação, mas, sem dúvida, é quando o tempo arrefece que se torna mais apetecível. Gosto de voltar noutras estações, mas há qualquer coisa de especial em acender a lareira, sentar-me junto ao fogo e ficar a ler, envolvida pelo seu calor. É um elemento simples, mas perfeito.
O fogo é um recurso utilizado pelo ser humano para criar, transformar e aquecer, mas também pode assumir outras formas. Nos momentos de frustração, intolerância ou revolta, parece que dentro de nós se acende uma chama: uma força sombria, impaciente e muito menos delicada.
Talvez seja essa dualidade do fogo, o que mais me intriga. É agradável contemplá-lo na lareira, ouvir o seu crepitar e sentir o calor que oferece. Mas é horrível quando se transforma numa força descontrolada, capaz de devastar florestas inteiras, destruir casas e deixar para trás uma imagem cinzenta.
O mesmo elemento que nos aquece pode destruir. O mesmo fogo que, junto à lareira, nos transmite paz pode, noutras circunstâncias, tornar-se uma das forças mais devastadoras da natureza. Talvez seja precisamente nessa contradição que resida a sua verdadeira força. Como em tudo, precisamos do fogo no seu equilíbrio.
Abraço de coração ♥️