02/08/2026
A decisão de alargar a proibição do uso de telemóveis nas escolas até ao 9.º ano não é só uma medida sobre tecnologia. É, acima de tudo, uma decisão sobre a infância, adolescência e relações humanas.
Habituámo-nos a ver os telemóveis como uma extensão inevitável da vida dos nossos filhos. Mas chegou o momento de fazermos uma pergunta importante: o que é que eles deixam de viver quando passam horas de olhos presos a um ecrã?
A escola não existe apenas para ensinar Matemática ou Português. Existe para ensinar a viver em comunidade.
É no recreio que se aprendem competências que nenhum telemóvel consegue desenvolver: negociar um conflito, lidar com a frustração, criar amizades, brincar, rir, perder, ganhar, esperar pela vez.
Quando o recreio é substituído pelo scroll infinito, perde-se muito mais do que tempo. Perde-se infância.
É natural que esta medida gere debate. Haverá quem a considere excessiva e quem defenda que a responsabilidade pertence apenas às famílias. Mas a verdade é que educar nunca foi uma missão exclusiva da escola nem exclusiva dos pais. Quando ambos caminham na mesma direção, quem ganha são as crianças.
Normalmente não sou adepto do proibir. Prefiro educar para uma decisão responsável. Sei que proibir o telemóvel não resolve, por si só, todos os problemas. Não substitui o diálogo em casa, não ensina literacia digital nem elimina os desafios das redes sociais.
Mas pode devolver aos alunos algo que se estava a tornar cada vez mais raro: tempo para olhar nos olhos, conversar, brincar e simplesmente... estar presente.
O verdadeiro desafio não é afastar os jovens dos telemóveis por umas horas. É lembrarmo-nos, enquanto adultos, de que o exemplo começa em nós.
Porque as crianças não precisam apenas de menos ecrãs. Precisam de mais presença.
E tu, o que achas sobre este tema?