23/08/2026
Dois primos de quatro anos, a mesma bactéria e três doses de diferença.
Dois primos, ambos com quatro anos. Um deles está internado com febre e placas na garganta, mas tem um bom prognóstico. O outro, infelizmente, não teve a mesma sorte.
A diferença entre os dois? Três doses da vacina.
A doença que durante séculos matou crianças por asfixia tem um nome: difteria.
A bactéria instala-se normalmente na garganta e pode formar uma membrana espessa e acinzentada, dificultando a respiração. Mas o verdadeiro perigo está na toxina que produz. Esta pode entrar na corrente sanguínea e atingir órgãos vitais, como o coração, o fígado e os rins.
A vacina contra a difteria não funciona simplesmente “matando a bactéria”. É um toxoide: ensina o sistema imunitário a reconhecer e neutralizar a toxina antes que esta possa provocar danos graves.
Uma pessoa vacinada pode, ainda assim, entrar em contacto com a bactéria e ser colonizada. A diferença é que está muito mais protegida contra as consequências graves da doença.
E é aqui que entra uma questão importante: as vacinas não são apenas uma escolha individual. Também protegem aqueles que, por razões médicas, não podem ser vacinados.
Durante décadas, a difteria tornou-se uma doença rara em Portugal graças à vacinação. É fácil esquecer o perigo de uma doença quando deixamos de a ver.
Mas doenças que quase desapareceram podem voltar quando a vacinação diminui.
Enquanto discutimos inteligência artificial, novas terapias e vacinas contra doenças como o cancro, não devemos esquecer algo muito mais básico: há doenças que já conseguimos prevenir há décadas.
A vacinação salvou — e continua a salvar — milhões de vidas.