03/07/2026
Comecei a ver a terceira temporada da série e houve um episódio que me chamou particularmente a atenção.
Uma das personagens explica, numa aula da faculdade, a ideia de que estamos ligados por "fios invisíveis" às gerações que vieram antes de nós. Gostei da forma como a série faz a ponte entre as constelações familiares e alguns conhecimentos da biologia e das neurociências.
É importante dizer que nem tudo o que é apresentado faz parte do consenso científico. Por exemplo, não existe evidência científica de que memórias específicas sejam transmitidas diretamente dos nossos antepassados para nós.
No entanto, sabemos que herdamos muito mais do que os genes. Durante o desenvolvimento no útero, o sistema nervoso é moldado pelo ambiente. Sabemos também que experiências intensas, como trauma ou stress prolongado, podem deixar marcas biológicas através de mecanismos como a epigenética, influenciando a forma como determinadas características podem ser expressas nas gerações seguintes.
Além disso, crescemos dentro de padrões familiares, formas de comunicação, crenças e estratégias de sobrevivência que passam de geração em geração.
Na minha perspetiva, quando olhamos para estes padrões, não é para encontrar culpados nem para acreditar que estamos condenados a repetir a história da nossa família. É precisamente o contrário.
Muitas das respostas automáticas que temos hoje foram, em algum momento, formas inteligentes de proteção. O que um dia ajudou alguém da nossa família a sobreviver pode já não fazer sentido na nossa vida atual.
Conhecer esses padrões permite-nos agradecer a função que tiveram e, ao mesmo tempo, escolher conscientemente aquilo que queremos continuar a levar connosco e aquilo que podemos transformar.
Porque compreender a nossa história não nos prende ao passado. Dá-nos liberdade para construir um futuro diferente.