Daniel Guimarães de Oliveira - Imunologia Clínica

Daniel Guimarães de Oliveira - Imunologia Clínica MD. Medicina Interna. Diagnóstico complexo. Doenças imunológicas. Lúpus Eritematoso Sistémico. Especialista em Medicina Interna. Educador médico.

Diferenciação em doenças do sistema imunitário com atingimento sistémico. Investigador clínico e translacional.

Recentemente, partilhei aqui (ver posts 👇) a publicação da LBFSS – Lupus Brain Fog Severity Scale, a primeira escala val...
03/08/2026

Recentemente, partilhei aqui (ver posts 👇) a publicação da LBFSS – Lupus Brain Fog Severity Scale, a primeira escala validada para medir o “nevoeiro mental” (“brain fog”) no lúpus, em que tive o prazer de participar. 🧠🌫️

🕵️‍♀️ Mas esta condição não é exclusiva do LES (ainda que cada uma possa ter as suas especificidades). O “nevoeiro mental”, o cansaço persistente, alterações do sono e do humor são queixas frequentes, e nem sempre fáceis de nomear ou de trazer para a consulta, mas estão presentes em muitas doenças autoimunes, um sinal das implicações globais destas doenças, cuja avaliação tem, necessariamente, de ir além do tratamento isolado da secura ou de outros sintomas mais óbvios.

As manifestações “extra-glandulares” (ie – além da secura) da Doença de Sjögren afectam uma proporção considerável dos doentes - em alguns estudos mais de metade. No entanto, são frequentemente desvalorizadas, por não corresponderem às alterações mais "visíveis", ou “famosas” da doença, como a secura. 👂👌

🩺 🤝 Isso significa, na prática, perguntar activamente por estes sintomas em consulta, mesmo quando não são mencionados espontaneamente, e olhar para a fadiga, o sono, o humor e a função cognitiva como partes interligadas do mesmo quadro clínico, e não como queixas isoladas. O tratamento global combina o controlo da doença de base com medidas dirigidas à secura, ao sono e ao bem-estar psicológico.

🎯 Desde os fármacos mais avançados, aos suplementos específicos e às medidas não farmacológicas – o tratamento é global, para um bem-estar global.

🫶 Obrigado, como sempre, a todos os doentes que me vão dando o seu feedback, permitindo a melhoria contínua nos cuidados de todos.

🤩📣 Estou muito orgulhoso de ter contribuído para a Lupus Brain Fog Severity Scale (LBFSS), publicada agora na revista Lu...
20/07/2026

🤩📣 Estou muito orgulhoso de ter contribuído para a Lupus Brain Fog Severity Scale (LBFSS), publicada agora na revista Lupus Science & Medicine.

🌫️🧠O nevoeiro mental é um dos sintomas mais incapacitantes e, ainda assim, menos reconhecidos no lúpus, e até hoje não existia nenhum instrumento dedicado para o medir.

🌍 🫶 Fazer parte do comité internacional por detrás deste projecto, desde a identificação dos domínios até à validação em 378 doentes de 36 países, foi um privilégio e uma lembrança constante daquilo que a investigação centrada em, e com a participação de, quem vive com a doença pode alcançar.

🇵🇹 Ainda assim, há muito trabalho a fazer, particularmente no nosso país, onde a expressão "nevoeiro mental" (ou "névoa mental") ainda não é difusamente usada, nem muitas vezes reconhecida. A ausência de palavras produz ausência de reconhecimento e tratamento.

🆙💡 E isto é precisamente a razão de ser do meu trabalho. Tanto do que aprendo com o lúpus é directamente aplicável a tantas outras doenças crónicas, sobretudo as que ainda não têm nome ou diagnóstico claro. O que desconhecemos, diminuimos. O que não conseguimos medir, ignoramos. Não se pode melhorar na escuridão.

👉O artigo é de acesso livre em:

Introduction Cognitive symptoms such as ‘brain fog’ are frequent and disabling in patients with SLE. We aimed to develop and validate the Lupus Brain Fog Severity Scale (LBFSS), the first patient-reported outcome measure (PROM) for cognitive symptoms in SLE.Methods The LBFSS was developed using ...

Excelentes notícias para quem vive com Lúpus!Foram recentemente publicados os resultados completos do ensaio de fase 3 P...
10/07/2026

Excelentes notícias para quem vive com Lúpus!

Foram recentemente publicados os resultados completos do ensaio de fase 3 PHOENYCS GO, que avaliou o dapirolizumab pegol (DZP) em doentes com lúpus eritematoso sistémico moderado-a-grave.

Durante mais de 60 anos, o tratamento do lúpus manteve-se praticamente sem novidades terapêuticas verdadeiramente inovadoras. Nos últimos dez anos, porém, temos assistido a um número crescente de novos fármacos dirigidos ao LES, e o dapirolizumab pegol perfila-se, com este passo adicional, como a mais recente destas armas terapêuticas, com resultados muito animadores neste estudo de pré-comercialização.

Ao fim de 48 semanas, metade dos doentes tratados com DZP associado ao tratamento habitual atingiu uma resposta clinicamente significativa, contra apenas 35% no grupo placebo. Observou-se ainda menos fadiga, um dos sintomas mais incapacitantes do lúpus, e menos crises graves de actividade da doença.

Importa referir que o dapirolizumab pegol continua em investigação e ainda não está aprovado por nenhuma autoridade de saúde. Se os próximos resultados forem igualmente entusiasmantes, não faltará muito!

Link para o artigo (paywall): https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(26)00691-4/abstract

No final de Junho tive a oportunidade de participar no XII Congresso Nacional de Autoimunidade | ###I Encontro Anual do ...
01/07/2026

No final de Junho tive a oportunidade de participar no XII Congresso Nacional de Autoimunidade | ###I Encontro Anual do NEDAI.

Tive a honra de encerrar o congresso com uma palestra intitulada "From mechanisms to care" (Dos mecanismos ao cuidado).

Enquanto título proposto, um enorme desafio, no que respeita a uma apresentação num congresso internacional; Enquanto lema de vida, o fio condutor da minha viagem profissional e académica.

A ideia central foi simples: sabemos cada vez mais sobre os mecanismos biológicos das doenças auto-imunes, mas o verdadeiro desafio está em transformar esse conhecimento em cuidado — um cuidado que tenha em conta não só os exames, mas também a vida de cada doente e o seu contexto: de que recursos dispõe, o que faz, que apoio tem.

Nos últimos anos temos vindo a demonstrar cada vez mais a importância desta abordagem global, pelo impacto que tem nos resultados em saúde.

Discuti ainda um pouco do nosso trabalho sobre a incapacidade das “escalas” e “pontuações” em traduzirem completamente a voz dos doentes e como temos de fazer melhor.

Mais novidades num futuro breve.

Um agradecimento especial a todos os doentes que, com as suas histórias, tornam este trabalho possível.

Na última semana estive em Londres no EULAR 2026, o maior congresso europeu de reumatologia e doenças imunomediadas. Foi...
09/06/2026

Na última semana estive em Londres no EULAR 2026, o maior congresso europeu de reumatologia e doenças imunomediadas. Foi uma semana muito intensa, cheia de ciência.

Orgulho-me particularmente de apresentar um dos nossos projectos, nascido de uma verdadeira parceria com doentes com lúpus, em colaboração com a LUPUS EUROPE e com voluntários portugueses. O objectivo é concreto: criar um caminho para identificar, verificar e ultrapassar os obstáculos do dia-a-dia que muitas vezes tornam os cuidados de saúde inacessíveis – dificuldades de transporte, insegurança alimentar, isolamento, barreiras digitais. Muitas das soluções já estão no terreno, mas desconhecidas de quem mais delas precisa.

Tivemos também uma surpresa muito gratificante: o nosso trabalho de investigação sobre o microbioma intestinal e o lúpus foi citado numa das grandes conferências do congresso, perante uma sala cheia. É o reconhecimento de que a investigação que fazemos é apreciada e pode ter repercussões fora do nosso contexto.

Obrigado a todos os doentes e parceiros que tornaram este trabalho possível. É por vocês – e convosco – que vale a pena continuar.

É um orgulho poder partilhar que fui nomeado **"Melhor Revisor de 2025"** pela Revista SPMI Case Reports, a revista cien...
28/05/2026

É um orgulho poder partilhar que fui nomeado **"Melhor Revisor de 2025"** pela Revista SPMI Case Reports, a revista científica oficial da SPMI - Sociedade Portuguesa de Medicina Interna para relatos de casos clínicos. A distinção foi atribuída no Congresso Nacional de Medicina Interna 2026, na semana passada.

Mas o que é exactamente a revisão científica, e porque é que é importante?
Quando um médico escreve um artigo para publicar numa revista científica, esse artigo é primeiro enviado a outros médicos para avaliação crítica. Esse processo chama-se revisão por pares.
É um trabalho que exige tempo e rigor, mas que é essencial para garantir que o que é publicado é sólido, correcto e útil para a prática clínica.
É uma tarefa científica raramente contabilizada, e não remunerada, que funciona na base do pay-it-forward - se alguém faz ciência e a pretende publicar, precisa de revisores e vice-versa.

Os casos clínicos têm um papel especial neste processo. São relatos de situações reais, às vezes raras, às vezes inesperadas, que os médicos partilham entre si para que outros possam aprender.
Cada caso que revejo é efectivamente um novo doente: alguém que nunca vou observar directamente, mas sobre quem sou chamado a pensar com o mesmo rigor que trago a cada consulta. E isso torna-me um médico melhor.

A revisão científica é, também, uma extensão do ensino e da aprendizagem contínua. Faz parte da caminhada para ser um médico completo, que domina tanto a ciência como a arte da Medicina.
Tudo o que aprendo neste processo reflecte-se na forma como penso e na qualidade do cuidado que presto a quem me consulta.

Obrigado à SPMI por este reconhecimento.

Hoje é o   - o dia das doenças (ainda) não diagnosticadas.Em todo o mundo, 350 milhões de pessoas vivem sem um diagnósti...
29/04/2026

Hoje é o - o dia das doenças (ainda) não diagnosticadas.

Em todo o mundo, 350 milhões de pessoas vivem sem um diagnóstico. Algumas nunca o terão.

Mas hoje penso também em todas as pessoas para quem o diagnóstico chegou, mas tarde demais. Nos doentes com lúpus diagnosticados inicialmente com fibromialgia. Nos doentes com imunodeficiência que acumulavam receitas de antibióticos. Em todos aqueles em que sinais e sintomas estavam lá há anos, mas foram ignorados.

O problema nem sempre é a ausência de manifestações. Por vezes é a ausência de quem ouve.

Há um fio comum a todos estes casos: a persistência de quem vive com a doença e a de quem quer ajudar. Fazer Medicina é um exercício solitário. Ter uma doença sem nome, também. O que é preciso, na maioria das vezes, é consistência no ouvir e persistência no pensar.

Neste dia da doença sem diagnóstico, saiba que não está sozinho(a).

Versão expandida e links em: https://www.drdanieloliveira.pt/undiagnosed-day-2026/

Uma doente enviou-me um link esta semana - para um artigo sobre o lúpus do qual sou co-autor.A melhor recompensa é saber...
09/04/2026

Uma doente enviou-me um link esta semana - para um artigo sobre o lúpus do qual sou co-autor.

A melhor recompensa é saber que o nosso trabalho é do interesse de quem mais dele beneficia - os doentes.

O artigo foi publicado numa revista científica internacional e foi depois destacado pela Rheumatology Advisor, uma plataforma de notícias clínicas para reumatologistas. E chegou até ela.

O que estudámos: numa coorte de mais de 2400 pessoas com lúpus na Suécia, factores como rendimento baixo, menor escolaridade, estar divorciada ou viúva, e dificuldade em trabalhar estavam associados a maior lesão de órgãos e maior mortalidade -- independentemente da actividade da doença.

Num país com acesso universal aos cuidados de saúde, estas diferenças não desapareceram.

O que isto significa na prática: a biologia do lúpus não se esgota na consulta. O contexto de vida de cada pessoa - o suporte que tem, a estabilidade financeira, a capacidade de gerir o dia-a-dia com uma doença crónica - faz parte do prognóstico.

Escrevi sobre isto de forma mais acessível no meu blog. O link está nos comentários.

📰 rheumatologyadvisor.com/news/sdh-linked-to-increased-risks-for-organ-damage-and-mortality-in-sle/

LATEST NEWS more news >> LATEST FEATURES more features >> OPINIONS more >> PODCASTS more >> CASE STUDIES

Tenho muito orgulho em partilhar este trabalho! 🎉 O LupusGPT, um projecto da LUPUS EUROPE, acaba de ser publicado na The...
25/03/2026

Tenho muito orgulho em partilhar este trabalho! 🎉
O LupusGPT, um projecto da LUPUS EUROPE, acaba de ser publicado na The Lancet Rheumatology, uma das revistas mais prestigiadas na área das doenças reumáticas e autoimunes. 📄

O que é o LupusGPT? 🤔 É uma ferramenta gratuita, criada por e para doentes com lúpus, que responde a perguntas sobre a doença em linguagem simples, na língua em que escreverem, seja português, inglês, espanhol ou qualquer outra (magia!). 🌍
Não substitui o médico, mas ajuda a encontrar informação fiável num momento em que tantas pessoas recorrem à internet e encontram conteúdos errados ou alarmistas.

Foi um privilégio contribuir, ainda que de forma muito modesta, para este projecto. O mérito é todo da equipa da Lupus Europe. 👏

Se tiver lúpus, ou conhecer alguém que tenha, experimente, é gratuito, não precisa de criar conta e funciona em qualquer língua! 💜

Experimente aqui: https://lupusgpt.org/

Artigo (acesso gratuito após registo): https://www.thelancet.com/journals/lanrhe/article/PIIS2665-9913(25)00370-4/abstract

We are very proud to share that LupusGPT has now been published in The Lancet Rheumatology, one of the world’s leading medical journals in rheumatology.

For us, this is not only about a publication. It is about what LupusGPT stands for.

LupusGPT is free. It is patient-led. And it was built to help people living with lupus find reliable, accessible information in almost any language.

It began with a simple but important question: what could become possible if patients, clinicians, and digital experts truly worked together from the start?

That question was first opened up in a fishbowl discussion at the European Lupus Meeting 2024 on how the lupus community could get the best, but not the worst, out of AI. From there, LupusGPT was shaped through the care, intelligence, and effort of many people: volunteers, patient testers, clinicians testing across languages, people who gave feedback, and people already helping us share it with patients in clinics, organisations, and communities.

This publication matters because it shows that patient-led innovation belongs in the scientific world too. It shows that when patient voice is not added at the end, but built in from the start, something real can grow.

A heartfelt thank you to all authors: Zoe Karakikla-Mitsakou, Alain Cornet, Jeanette Andersen, Sarah Dyball, Cristiana Sieiro Santos, Daniel Guimarães de Oliveira, and Laurent Arnaud. Special thanks also to Daniel Guimarães de Oliveira for the thought, care, and belief he brought to this work, and to Professor Laurent Arnaud for his outstanding support, steadiness, and guidance.

And above all, thank you to everyone in the Lupus Europe community who keeps showing us why this matters.

LupusGPT. Free. Multilingual. Patient-led. And now part of the scientific record.

https://doi.org/10.1016/S2665-9913(25)00370-4

Read it for free now! You only need to register (registration is completely free and takes 1')

Endereço

IMEI/Instituto Médico De Estudos Imunológicos, Edifício Trindade Domus, Rua Heróis E Mártires De Angola, Nº15 Lj 18
Porto
4000-285

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 10:00 - 18:00
Terça-feira 10:00 - 18:00
Quarta-feira 10:00 - 18:00
Quinta-feira 10:00 - 18:00
Sexta-feira 10:00 - 18:00

Telefone

+351937623580

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Daniel Guimarães de Oliveira - Imunologia Clínica publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Daniel Guimarães de Oliveira - Imunologia Clínica:

Atalhos

Compartilhar

Categoria