27/08/2026
Nem sempre uma relação termina no dia em que alguém sai de casa.
Às vezes, termina muito antes.
Quando deixam de existir perguntas. Quando já não há curiosidade pelo outro. Quando o toque desaparece. Quando conversar se torna apenas gestão da casa, filhos, horários e problemas. Quando o conflito deixa de existir não porque tudo está bem, mas porque já ninguém acredita que valha a pena tentar.
Há casais que continuam juntos durante anos, mesmo depois de a relação ter começado a desaparecer. Funcionam. Organizam-se. Cumprem responsabilidades. Mas deixaram de se encontrar.
E esse é um dos aspetos mais difíceis do chamado divórcio emocional: por fora, a relação continua. Por dentro, o vínculo já está profundamente fragilizado. Nem sempre o primeiro sinal de uma relação em risco é uma grande discussão. Às vezes é precisamente o contrário:
é quando já não há nada pelo qual discutir.
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