Andreia Lourador Psicóloga Clínica

Andreia Lourador Psicóloga Clínica CONSULTAS PORTO | LISBOA 913429774

Nem sempre uma relação termina no dia em que alguém sai de casa.Às vezes, termina muito antes.Quando deixam de existir p...
27/08/2026

Nem sempre uma relação termina no dia em que alguém sai de casa.

Às vezes, termina muito antes.

Quando deixam de existir perguntas. Quando já não há curiosidade pelo outro. Quando o toque desaparece. Quando conversar se torna apenas gestão da casa, filhos, horários e problemas. Quando o conflito deixa de existir não porque tudo está bem, mas porque já ninguém acredita que valha a pena tentar.

Há casais que continuam juntos durante anos, mesmo depois de a relação ter começado a desaparecer. Funcionam. Organizam-se. Cumprem responsabilidades. Mas deixaram de se encontrar.

E esse é um dos aspetos mais difíceis do chamado divórcio emocional: por fora, a relação continua. Por dentro, o vínculo já está profundamente fragilizado. Nem sempre o primeiro sinal de uma relação em risco é uma grande discussão. Às vezes é precisamente o contrário:

é quando já não há nada pelo qual discutir.

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Muitas pessoas chegam à primeira consulta depois de terem passado meses, às vezes anos a tentar resolver sozinhas aquilo...
25/08/2026

Muitas pessoas chegam à primeira consulta depois de terem passado meses, às vezes anos a tentar resolver sozinhas aquilo que sentem. Pensaram muito, relativizaram, tentaram silenciar a dor, prometeram a si próprias que iam mudar. E, ainda assim, alguma coisa continua a repetir-se.

A primeira consulta não exige que saiba explicar exatamente o que lhe acontece. É precisamente para começarmos a compreender isso. É um momento de avaliação clínica: perceber o que o trouxe, como esse sofrimento se manifesta, o que o mantém, de que forma interfere na sua vida e que mudanças fazem sentido trabalhar. Não é apenas um espaço para falar. É o início da construção de uma compreensão e de uma direção terapêutica. E há algo que considero importante:

não precisa de estar no limite para procurar ajuda.

Pode continuar a trabalhar, cuidar da família, cumprir responsabilidades e parecer que está tudo bem e, ainda assim, estar cansado de viver com ansiedade, deprimido, repetir os mesmos padrões ou permanecer numa relação que o faz sofrer.

Às vezes, a primeira consulta começa apenas com uma frase: “Eu não consigo continuar a sentir-me assim.” E isso chega para começarmos.

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Porque o cérebro pode continuar em alerta mesmo quando o presente está seguro. Quando passou muito tempo a antecipar pro...
24/08/2026

Porque o cérebro pode continuar em alerta mesmo quando o presente está seguro. Quando passou muito tempo a antecipar problemas, a controlar, a vigiar ou a responder a situações de stress, esse estado pode tornar-se familiar. E então acontece algo paradoxal:

quando finalmente está tudo calmo, o próprio silêncio pode parecer estranho.

O corpo desacelera, mas a mente continua à procura do que pode correr mal. É aí que surgem os famosos “e se…?” Não porque exista necessariamente um perigo, mas porque o cérebro aprendeu a procurá-lo. A ansiedade, muitas vezes, não nasce do que está a acontecer. Nasce da dificuldade em confiar que, naquele momento, nada precisa de ser resolvido.

E talvez por isso algumas pessoas só percebam o quanto viviam em alerta quando finalmente têm espaço para parar.

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Porque o cérebro foi feito para antecipar perigo. A ansiedade é, em primeiro lugar, um mecanismo de proteção. Ela prepar...
19/08/2026

Porque o cérebro foi feito para antecipar perigo. A ansiedade é, em primeiro lugar, um mecanismo de proteção. Ela prepara o corpo para agir, aumenta a atenção, procura sinais de ameaça e tenta prever aquilo que pode correr mal.

O problema não é sentir ansiedade.

O problema começa quando o sistema de alarme passa a disparar perante possibilidades, incertezas e pensamentos como se fossem perigos reais. E então vivemos em antecipação:
“E se correr mal?”
“E se eu não conseguir?”
“E se acontecer alguma coisa?”

A mente tenta proteger-nos procurando certezas. Mas quanto mais tenta eliminar toda a incerteza, mais ansiosa se torna. A ansiedade não nasce apenas do medo do que está a acontecer. Muitas vezes nasce da necessidade de controlar aquilo que ainda nem aconteceu.
Regular a ansiedade não é deixar de sentir medo. É ensinar o cérebro a distinguir melhor entre perigo real e possibilidade.

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Análise Criminal.
14/08/2026

Análise Criminal.

07/08/2026
Em consulta, aprendi que a anorexia raramente começa no espelho. Começa muito antes. Na necessidade de controlar aquilo ...
08/07/2026

Em consulta, aprendi que a anorexia raramente começa no espelho. Começa muito antes. Na necessidade de controlar aquilo que parece incontrolável. Na sensação persistente de nunca ser suficiente. Na dificuldade em reconhecer o próprio valor para além daquilo que se vê.

Para quem sofre, o espelho deixa de refletir apenas um corpo. Passa a refletir medos, exigências, culpa e uma profunda insatisfação consigo próprio. É por isso que comentários sobre a imagem do outro, raramente produzem mudança. Porque o problema não está nos olhos. Está na forma como a pessoa aprendeu a olhar para si.

A anorexia não é uma escolha. É uma perturbação psicológica complexa, onde o sofrimento emocional encontra no corpo uma forma de expressão. Por isso, tratar a anorexia nunca passa apenas por recuperar peso. Passa por reconstruir a relação que a pessoa tem consigo própria.

Porque, quando a dor diminui, o espelho também começa a mudar.

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Há pessoas que continuam a dizer que estão bem. Mas já não dormem da mesma forma. Já não têm a mesma paciência, já não s...
22/06/2026

Há pessoas que continuam a dizer que estão bem. Mas já não dormem da mesma forma. Já não têm a mesma paciência, já não sentem a mesma alegria. Vivem cansadas, irritadas, ansiosas. Com dores que antes não existiam. Com um corpo permanentemente em alerta. E, ainda assim, repetem para si próprias:

“Está tudo bem.”

Mas o corpo raramente mente. Pode demorar meses. Às vezes anos. Mas ele acaba por falar. Primeiro de forma subtil, mais tarde, de forma impossível de ignorar. Fala através da ansiedade, das insónias, da exaustão, da tensão constante, da falta de energia e da perda de motivação. Fala através dos sintomas físicos para os quais ninguém encontra explicação.

Muitas vezes, aquilo que chamamos cansaço não surgiu de repente. Foi-se acumulando. Dia após dia. Enquanto tentávamos adaptar-nos ao que já não nos fazia bem. Enquanto justificávamos. Enquanto adiávamos decisões. Porque existe uma verdade difícil de aceitar:

O corpo grita, aquilo que a mente tenta insistentemente ignorar.

Então a pergunta talvez não seja:
“O que é que eu tenho?”,
talvez seja:
“O que é que continuo a tolerar que me está a adoecer?”

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