21/04/2023
Há semanas que são complicadas na minha cabeça. Já foram muito complicadas... e muitas semanas. Esta está a ser uma delas. É ter a mente hipervigilante à procura de “supostos” perigos. Algo que não se enquadra na minha “suposta” normalidade ou que fuja do meu controle. É como se a minha cabeça fosse um soldado de plantão na trincheira, mas a quem nunca lhe disseram quem era o inimigo. Então está atento a tudo o que mexe, ansioso, à espera que algo quebre a sua normalidade. Pode ser tudo, pode ser nada. Na realidade o inimigo é apenas um... aquele a quem o soldado (eu) der atenção.
Todos os dias desta semana tenho sido inundado com a pergunta mágica dos obsessivos ou ansiosos: “E se...” E se isto faz mal? E se isto está contaminado? E se isto não é aquilo que eu penso? E se por estar a desvalorizar, estou a abrir as portas ao perigo?
Mas o meu papel hoje é um pouco diferente de há uns anos... Ainda vou, mas se antes ia constantemente atrás destes “ e se”, em busca de respostas que não existem, hoje observo, com todo o desconforto que isso traz. Tento não procurar respostas, mesmo que a minha cabeça diga “eu preciso disso para me acalmar”. Não faço perguntas, mesmo que a minha cabeça insista que é o melhor para essa dúvida desaparecer. Sei que não o é, já vivi milhares de vezes a mesma lógica com as mais variadas obsessões. E tal como sei que fazer perguntas ou procurar respostas traz apenas um alivio momentâneo, também sei que o desconforto vai passar. Tudo passa. Então procuro ser o soldado que sai da trincheira, não para abrir fogo, mas para sair do buraco e ver que afinal os inimigos não são assim tantos e a guerra é só com ele mesmo.