12/04/2024
Que fique claro: eu entendo que os pais são os nutrientes mais ricos e mais equilibrados para as crianças. Mais que o leite, a carne, a fruta ou os vegetais. Só sou é um bocadinho “contra” os pais “muito modernos”.
Daqueles que se cercam de manuais e testam todas as “fórmulas de sucesso” e mais algumas. Em relação às birras das crianças, à proibição de se esganiçarem e de gritarem ou em relação aos “nãos”. Em vez de escutarem o seu “sexto sentido” e porem o bom senso e a sua “convicção de pais” a puxar por eles.
Daqueles que tratam as crianças como “peças de porcelana” e que as pretendem quase “bactereologicamente puras”, em vez de admitirem que elas precisam de andar à bulha de vez em quando, de brincar na rua e de se esquecerem das horas, um ror de vezes. E daqueles que, sendo amigos do ambiente, não deixam as crianças sujar-se.
Daqueles que acham que as crianças vivas são hiperactivas e que a sua algazarra é poluição sonora. E que supõem que as crianças saudáveis não são cabeças no ar e não andam na lua.
Daqueles que acham que a escola está, sempre, em primeiro lugar, e que a família e o brincar não são compromissos nem mais sérios que ela. Nem, sobretudo, inadiáveis. E que consideram que o trabalho vem sempre antes - e muito antes - da milenar tentação de imaginar, de fantasiar e de recriar.
Daqueles que acham que “o não” traumatiza as crianças.
E daqueles que acham que as birras são “nervos”. E que o lado desafiador das crianças é só uma salutar manifestação de “personalidade”.
Tenho medo que as “famílias muito modernas” consumam muitas soluções rápidas sobre a educação. Como se educar não fosse difícil e se fizesse sem que fosse necessário muito tempo, muitos erros e muitos “dilemas de pais”. E como se a educação duma criança não fosse, como o amor, uma tarefa para a vida. Que não se resolve com uma pitada de técnica, alguma burocracia e num registo “fast food”. E que se aprende sem dor e sem medos. É só nestes pormenores que os melhores pais que a humanidade já produziu se “estragam”. Mas só de vez em quando…