06/07/2026
Já dizia António Coimbra de Matos, que o povo é sábio e nas suas expressões populares revela uma profunda compreensão da natureza humana.
Chama o povo de "calmeirão" a alguém de grande porte, pessoa robusta, cuja presença se impõe na maioria das vezes sem necessidade de alarde.
Talvez esta imagem possa servir também como metáfora psicológica.
Quem é verdadeiramente "grande" por dentro tende a confiar na sua força. Não precisa de fazer muito barulho, de se afirmar constantemente ou de procurar validação a cada momento. A segurança no valor próprio manifesta-se, muitas vezes, na tranquilidade.
Pelo contrário, quem sente necessidade permanente de se exibir, de falar mais alto, de dominar ou impressionar, pode estar, afinal, a tentar compensar uma fragilidade.
O excesso de ruído não revela força: denuncia a insegurança e a necessidade de convencer os outros — e talvez a si próprio — do próprio valor.
A verdadeira solidez não precisa de espetáculo.
Tal como um grande calmeirão, basta estar presente para que a sua força se faça sentir.
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