16/08/2026
Por trás de uma presença discreta pode existir uma vida inteira de esforço: interpretar sinais sociais, perceber o momento certo para entrar numa conversa, compreender o que ficou implícito, responder ao que os outros esperam sem deixar de ser quem se é. No autismo nível 1, pode existir uma distância difícil entre aquilo que a pessoa sente, aquilo que deseja e aquilo que consegue expressar ou fazer chegar ao outro.
Muitos vivem com a impressão de estar sempre um passo atrás. Hesitam onde os outros avançam, pensam onde os outros reagem, calam-se onde os outros parecem entrar com naturalidade. E, nesse desencontro, podem acumular-se solidão, cansaço e uma sensação persistente de não pertença.
É precisamente aqui que os grupos de encontro podem fazer diferença. São espaços onde a relação pode nascer com menos pressão social, menos necessidade de representar e menos receio de ser interpretado a partir do preconceito. Antes de qualquer comportamento, existe uma pessoa. É essa pessoa que precisa de ser reconhecida.
O objetivo não é corrigir formas de estar, nem ensinar alguém a parecer-se mais com os outros. É criar condições para que cada jovem possa relacionar-se ao seu ritmo, encontrar pontos de identificação e sentir que existe um lugar onde a sua presença não precisa de ser justificada.
Há algo profundamente humano nestes encontros: poder estar com outras pessoas sem representar permanentemente um papel. Poder falar sem antecipar o julgamento. Poder ouvir e ser ouvido. Poder ser genuíno num espaço pensado para eles e construído com eles.
Para alguns jovens autistas, isto pode significar muito mais do que convívio. Pode significar encontrar pessoas com experiências semelhantes, criar relações, diminuir o isolamento e descobrir uma experiência de pertença que nem sempre encontram noutros contextos.
Talvez um dos grandes desafios da sociedade seja aprender a olhar para além daquilo que é imediatamente visível. Porque quando deixamos de reconhecer a pessoa por detrás do comportamento, não perdemos apenas compreensão. Perdemos relações, pertença e a possibilidade de construir uma sociedade onde existir de forma diferente não signifique existir à margem.
os grupos começam em Outubro para Adolescentes aos sábados e Adultos às 5as.
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