20/05/2026
𝗖𝘂𝗶𝗱𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗼 𝗰𝗮𝗿𝗿𝗼 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗼 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗼 𝗰𝗼𝗿𝗽𝗼
Talvez esteja aí um dos maiores erros da sociedade atual .
Vivemos numa sociedade onde fazemos revisões ao carro a tempo, verificamos pneus, mudamos óleo e prestamos atenção a qualquer ruído estranho no motor. No entanto, muitos continuam a ignorar os sinais que o próprio corpo dá diariamente.
Dor nas costas, tensão muscular, fadiga constante, dificuldades em dormir e níveis elevados de stress tornaram-se algo quase normal. E talvez esse seja precisamente o problema: normalizámos o desgaste físico e emocional.
Na minha opinião, aprendemos a cuidar melhor das máquinas do que de nós próprios. Esperamos quase sempre pela dor intensa, pela limitação física ou pela exaustão para procurar ajuda. Só que o corpo não avisa eternamente da mesma forma. Quando os sinais são ignorados durante demasiado tempo, as consequências acabam por aparecer.
Hoje já existem diversos estudos europeus que reforçam a importância do cuidado físico e da recuperação muscular na saúde global. A própria European Pain Federation alerta para o crescimento das dores musculoesqueléticas e do impacto do stress físico e emocional na população europeia.
Além disso, investigações publicadas na European Review for Medical and Pharmacological Sciences demonstram que a massagem terapêutica tem sido cada vez mais utilizada na redução de tensão muscular, ansiedade, stress e recuperação física, especialmente em contextos de dor musculoesquelética e fadiga física.
Outro dado importante é que o stress contínuo não afeta apenas a mente. Estudos europeus relacionados com dor crónica mostram que o stress pode aumentar a sensibilidade à dor e agravar problemas musculares persistentes.
Ao longo do meu percurso profissional, vejo frequentemente pessoas que vivem em piloto automático. Trabalham cansadas, dormem mal, acumulam tensão durante meses e só procuram ajuda quando o corpo já está no limite. E muitas vezes bastam pequenos hábitos de autocuidado para melhorar significativamente a qualidade de vida, mobilidade e bem-estar geral.
Claro que a massagem não substitui acompanhamento médico quando necessário, nem resolve todos os problemas. Mas negar os benefícios do toque terapêutico, do relaxamento muscular e da recuperação física já não faz sentido perante aquilo que a ciência tem vindo a demonstrar.
Talvez esteja na altura de mudarmos mentalidades. O corpo é o único lugar onde vamos viver para sempre. Ignorá-lo constantemente terá sempre um custo.
Cuidar da saúde física e mental não devia ser encarado como luxo. Devia ser visto como prevenção, equilíbrio e respeito pelo próprio corpo.
Concordam que hoje em dia normalizamos demasiado o cansaço e a dor?
Marina Pinto Terapias