02/08/2026
As redes sociais fazem parte da nossa vida. Aproximam pessoas, permitem partilhar momentos e podem ser uma importante fonte de ligação.
Não há nada de errado em gostar de ser visto ou validado.
Todos precisamos disso.
Para algumas pessoas, um like é apenas um gesto simpático.
Para outras, a sua ausência desperta desconforto, dúvida ou uma estranha sensação de invisibilidade.
Não porque sejam superficiais, mas porque, por vezes, procuram no olhar dos outros uma confirmação que ainda não conseguiram integrar na forma como se veem.
O reconhecimento vindo de fora pode confortar-nos, fazer-nos sentir vistos e reforçar o sentimento de pertença.
Mas, quando se torna a principal medida do nosso valor pessoal, esse conforto tende a ser breve.
E quanto mais o nosso valor depende da validação externa, maior tende a ser a vulnerabilidade às respostas (ou ao silêncio) dos outros.
É aqui que surge um paradoxo.
Na tentativa de sermos aceites, podemos começar a moldar a forma como nos mostramos, afastando-nos, pouco a pouco, da experiência de sermos quem somos.
Quando isso acontece, confundimos aprovação com pertença.
E pertencer não é ser visto por muitas pessoas. É sentir que podemos ser autênticos e continuar a ser aceites.
A verdadeira pertença nasce nas relações onde não precisamos de esconder partes de quem somos para preservar o vínculo.
Por isso talvez o convite de hoje não seja refletir sobre o número de likes que recebemos, mas permitir-nos parar por um momento e responder a esta pergunta:
Em que lugares da minha vida me sinto verdadeiramente livre para ser quem sou, sem receio de não ser aceite?