Carla Ravazzini - Psicóloga Clínica

Carla Ravazzini - Psicóloga Clínica Especialista em psicologia clinica e da saude. Cedula profissional OPP 21196 Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde pela Universidade do Minho.

Formadora acreditada pelo Conselho Científico Pedagógico de Formação Contínua, na área/domínio: D06 - Relações Humanas.

As redes sociais fazem parte da nossa vida. Aproximam pessoas, permitem partilhar momentos e podem ser uma importante fo...
02/08/2026

As redes sociais fazem parte da nossa vida. Aproximam pessoas, permitem partilhar momentos e podem ser uma importante fonte de ligação.

Não há nada de errado em gostar de ser visto ou validado.
Todos precisamos disso.

Para algumas pessoas, um like é apenas um gesto simpático.
Para outras, a sua ausência desperta desconforto, dúvida ou uma estranha sensação de invisibilidade.

Não porque sejam superficiais, mas porque, por vezes, procuram no olhar dos outros uma confirmação que ainda não conseguiram integrar na forma como se veem.

O reconhecimento vindo de fora pode confortar-nos, fazer-nos sentir vistos e reforçar o sentimento de pertença.
Mas, quando se torna a principal medida do nosso valor pessoal, esse conforto tende a ser breve.
E quanto mais o nosso valor depende da validação externa, maior tende a ser a vulnerabilidade às respostas (ou ao silêncio) dos outros.

É aqui que surge um paradoxo.

Na tentativa de sermos aceites, podemos começar a moldar a forma como nos mostramos, afastando-nos, pouco a pouco, da experiência de sermos quem somos.

Quando isso acontece, confundimos aprovação com pertença.

E pertencer não é ser visto por muitas pessoas. É sentir que podemos ser autênticos e continuar a ser aceites.

A verdadeira pertença nasce nas relações onde não precisamos de esconder partes de quem somos para preservar o vínculo.

Por isso talvez o convite de hoje não seja refletir sobre o número de likes que recebemos, mas permitir-nos parar por um momento e responder a esta pergunta:

Em que lugares da minha vida me sinto verdadeiramente livre para ser quem sou, sem receio de não ser aceite?

12/07/2026

O Dia Internacional da Esperança, proclamado pelas Nações Unidas, dirige-nos um convite irrecusável: olhar o mundo com responsabilidade e compromisso com a paz, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável.
Numa época atravessada por conflitos, crises humanitárias e profundas desigualdades sociais, é natural que muitas pessoas sintam ansiedade, desânimo ou perda de confiança.
Neste contexto, a esperança assume um papel essencial para o bem-estar psicológico, enquanto recurso e força interna que permite enfrentar a adversidade.
É essa força que guia atitudes, promove a solidariedade e nos lembra de que cada ação em defesa dos direitos humanos representa um contributo para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e humana.
Para que a esperança ultrapasse a condição do conceito meramente abstrato, é necessário que se traduza na garantia e cumprimento efetivo dos direitos humanos. Só assim se afirma como a força que sustenta não apenas o acreditar, mas, sobretudo, o agir.
O Observatório dos Direitos Humanos (ODH), através da monitorização, da denúncia e da sensibilização, trabalha diariamente para construir uma esperança coletiva. Hoje, dirige o convite a cada pessoa para que, através das suas escolhas e atitudes, participe na construção de um caminho comum, onde a dignidade humana permaneça no centro das nossas ações, motivações e compromissos.

Observatório Direitos Humanos
Carla Ravazzini


Nações Unidas
https://observatoriodireitoshumanos.org/participar/

Quando a adaptação tem um custo emocional Na prática clínica,  observo frequentemente que os momentos mais difíceis da v...
04/07/2026

Quando a adaptação tem um custo emocional

Na prática clínica, observo frequentemente que os momentos mais difíceis da vida colocam as pessoas perante uma dupla realidade: sofrem, mas continuam a agir.

A verdade é que o sofrimento nem sempre é visível.
Nem sempre se manifesta através de lágrimas, da tristeza ruidosa ou da incapacidade de seguir em frente.
Muitas pessoas continuam a trabalhar, a cuidar dos outros, a tomar decisões e a resolver problemas.
À primeira vista, parecem funcionar “normalmente” e, por isso, são frequentemente reconhecidas pela sua força, capacidade de adaptação e resiliência.

No entanto, esta capacidade de continuar a funcionar nem sempre significa ausência de sofrimento nem protege do impacto emocional dos acontecimentos.
Pelo contrário, do ponto de vista psicológico, é frequente que, em períodos de elevada sobrecarga emocional, a pessoa entre num estado frequentemente descrito como “piloto automático”, no qual a prioridade passa a ser responder às exigências imediatas.

Este mecanismo tem uma importante função adaptativa. É ele que nos permite atravessar períodos de crise, responder às exigências do momento e continuar a cuidar daqueles que dependem de nós, sobretudo quando parar não parece uma opção.

Contudo, embora este modo de funcionamento possa ser útil e necessário em determinados momentos, deixa de o ser quando se prolonga no tempo e toda a energia é canalizada para agir, resolver e suportar.
Nessa altura, torna-se fácil perder o contacto com aquilo que realmente estamos a sentir.

É precisamente por isso que, muitas vezes, os sinais de desgaste emocional apenas se tornam visíveis quando a urgência diminui. Irritabilidade, exaustão, dificuldades de concentração, alterações do sono, sensação de vazio, perda de prazer ou uma tristeza aparentemente sem explicação, podem emergir nessa fase.
Não porque o sofrimento só tenha surgido nesse momento, mas porque, finalmente, existe espaço para o reconhecer e sentir.

Talvez por isso o autocuidado assuma, também nestas circunstâncias, um papel fundamental.
Não são necessárias grandes mudanças.
Por vezes, bastam gestos simples, mas profundamente significativos: reconhecer com honestidade o próprio estado interno, aceitar os limites do momento presente e reservar, ainda que por breves instantes, um espaço onde não seja necessário resolver nada.

Pois cuidar de si não é um luxo.
É uma condição essencial para preservar o equilíbrio psicológico, atravessar os momentos mais exigentes e continuar a cuidar dos outros sem se perder de si próprio nesse processo

A ilusão do controlo e a coragem de ser vulnerávelO desejo de controlo constitui uma experiência inerente à condição hum...
02/07/2026

A ilusão do controlo e a coragem de ser vulnerável

O desejo de controlo constitui uma experiência inerente à condição humana.
Ao longo da vida, é natural procurarmos reduzir a incerteza, antecipar cenários na expectativa de evitar situações que possam gerar sofrimento.
Esta necessidade, por si só, não representa um problema. Pelo contrário, desempenha um papel adaptativo, que tem como função organizar a experiência interna e proporcionar uma sensação de previsibilidade perante um mundo marcado pela incerteza.

A maioria das estratégias de controlo nasce como uma resposta ao desconforto emocional.
Planeamos em excesso para evitar o erro, antecipamos cenários para nos prepararmos para uma possível desilusão e procuramos respostas definitivas para aliviar a ansiedade que a dúvida desperta.
Embora estas estratégias possam parecer um desejo de domínio, revelam, na maioria das vezes, algo mais profundo: uma necessidade urgente de segurança

O problema surge quando o controlo deixa de ser um recurso e passa a tornar-se uma condição para o bem-estar. Quando a tranquilidade depende de garantias absolutas, a pessoa acaba por viver aprisionada à procura constante de certezas, que a vida, inevitavelmente, não pode oferecer.
E quanto mais tentamos eliminar a incerteza, mais ansiosos nos sentimos.

A verdade, e apesar de gostarmos de acreditar no contrário, controlamos muito pouco. Não podemos controlar por completo as emoções que sentimos, nem prever as reações das outras pessoas. Não conseguimos impedir que aconteçam mudanças, perdas, separações ou transformações internas. Até a identidade, que tantas vezes sentimos como algo fixo, está em permanente construção. Aquilo que somos hoje não é exatamente quem fomos há cinco anos, nem será exatamente quem seremos daqui a cinco, pois estamos em permanente reconstrução à medida que as experiências nos transformam.

Perante esta realidade, muitas pessoas intensificam os esforços de controlo. Procuram pensar mais, analisar mais, prever mais. No entanto, aquilo que inicialmente surge como uma tentativa de proteção pode transformar-se numa fonte adicional de sofrimento.
Porque a vigilância constante tem um custo elevadíssimo: gera exaustão.

E por essa razão, talvez a verdadeira segurança não esteja em conseguir controlar tudo o que acontece, mas em descobrir, pouco a pouco, que somos capazes de enfrentar aquilo que não conseguimos controlar.
Porque a coragem não nasce da ausência de vulnerabilidade; nasce da disponibilidade para continuar a viver, a permanecer, mesmo quando não existem certezas.

Segurança emocional: o direito da criança a amar sem lealdades divididasEm contextos de conflito ou rutura relacional, o...
28/06/2026

Segurança emocional: o direito da criança a amar sem lealdades divididas

Em contextos de conflito ou rutura relacional, o sofrimento emocional dos adultos pode tornar-se tão intenso que passa a ocupar grande parte do seu espaço psicológico.

E quando existem crianças envolvidas, os adultos são frequentemente confrontados com uma tarefa emocionalmente complexa e exigente: separar o seu sofrimento das necessidades afetivas e desenvolvimentais da criança.

Este exercício de diferenciação pode ser particularmente desafiante nos momentos de maior vulnerabilidade emocional, mas a capacidade de fazer essa distinção é uma das bases da responsabilidade emocional adulta.

É ela que protege a criança de conflitos que não lhe pertencem e garante que as suas necessidades permanecem SEMPRE no centro das prioridades.

As crianças têm direito aos seus afetos e aos seus vínculos. Têm o direito de continuar a amar e a relacionar-se com as pessoas que são importantes para si, sem sentirem que têm de escolher lados ou carregar conflitos que pertencem ao mundo dos adultos.

Pois o conflito pertence aos adultos, os vínculos à criança.

Naturalmente que há momentos em que a dor, a raiva, a desilusão ou o sentimento de injustiça fazem parte da experiência humana.

O que protege as crianças não é a ausência destas emoções, mas a capacidade dos adultos as reconhecerem e regularem, sem que comprometam os vínculos afetivos de que a criança necessita para crescer em segurança.

Sabe-se que as famílias saudáveis não são isentas de conflitos, contudo, os adultos que as compõem conseguem distinguir a sua dor das necessidades da criança e compreendem que o mais importante não é vencer uma disputa, mas preservar a sua segurança emocional.

Porque nenhuma criança deve ser transformada no campo de batalha das dores dos adultos.

O seu direito é outro: crescer a sentir-se amada, protegida e livre para pertencer.

Porque o maior legado que lhes podemos deixar não é sobre vencer o outro, mas sobre como escolhemos cuidar das relações quando estas são colocadas à prova.

04/06/2026

𝐃𝐢𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐚𝐬 𝐂𝐫𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚𝐬 𝐈𝐧𝐨𝐜𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐕𝐢́𝐭𝐢𝐦𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐨𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚

Instituído pela Organização das Nações Unidas através da resolução ES-7/8, de 19 de agosto de 1982, durante uma sessão especial de emergência da Assembleia Geral sobre a questão da Palestina, o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão surgiu da preocupação da comunidade internacional perante o sofrimento das crianças palestinianas e libanesas, vítimas dos atos de agressão denunciados nessa resolução.

Não se tratando, por isso, de um momento de celebração, este dia pretende alertar para a persistência de situações de abuso, exploração, negligência e violência que continuam a afetar milhões de crianças em todo o mundo.

Embora tenha surgido do reconhecimento do impacto devastador dos conflitos armados na infância e da necessidade de reforçar a proteção das crianças em contextos de guerra e violência, sabe-se que graves violações dos direitos das crianças não ocorrem exclusivamente nestes cenários. Práticas como o casamento infantil, o trabalho infantil, a mutilação ge***al feminina e o tráfico de seres humanos, assim como situações de abuso físico, emocional e sexual e de negligência, frequentemente ocorridos em ambientes que deveriam assegurar a sua proteção, como a família, a escola e a comunidade, continuam a fazer parte da experiência diária de milhares de crianças em todo o mundo.

Estas realidades, para além de graves violações dos direitos consagrados na Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), representam uma ameaça ao seu desenvolvimento harmonioso. Sabe-se que a exposição a experiências adversas na infância, como abuso, negligência ou violência, está associada à vulnerabilidade aumentada para o desenvolvimento de problemas de saúde física e mental, ao longo do ciclo de vida.

Proteger a infância representa, por isso, não apenas o compromisso com a promoção e defesa dos direitos humanos, mas também um investimento futuro. Garantir às crianças condições seguras e favoráveis ao seu desenvolvimento contribui para a formação de adultos mais saudáveis e capazes de participar plenamente na vida social, económica e cívica. Para que tal seja possível, a proteção da infância é uma responsabilidade coletiva que exige a ação de diferentes atores sociais.

O Observatório dos Direitos Humanos (ODH) reafirma o seu compromisso com a promoção e proteção dos direitos das crianças, apelando ao reforço das respostas de prevenção da violência e à adoção de políticas públicas que assegurem a centralidade das necessidades e direitos das crianças.

Carla Ravazzini

Carla Ravazzini - Psicóloga Clínica

17/05/2026

Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia

Só em 1990, a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença, segundo a Organização Mundial da Saúde. No entanto, isto não fez com que o preconceito e a discriminação contra as pessoas LGBTI+ desaparecessem.

" Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos " (art. 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos). Porém, em vários países do mundo as violações de direitos humanos contra as pessoas LGBTI+ são gritantes, muitas vezes ainda significando pena de morte ou aprisionamento. Em países como a Mauritânia, Arábia Saudita, Irão e Uganda, as pessoas são mortas, perseguidas e violentadas só por serem quem são.

Apesar de " Ninguém poder ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, s**o, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual " (art. 13.º Constituição da República Portuguesa), a crescente disseminação de desinformação e de discursos populistas faz aumentar o discurso de ódio e os crimes de ódio contra as pessoas LGBTI+, bem como a discriminação e a perseguição.

Infelizmente, também em Portugal os direitos das pessoas LGBTI+ têm sido alvo de ataques, tendo como ponto mais preocupante a aprovação, na Assembleia da República, de três propostas de lei, que têm como objetivo retirar direitos já conquistados, pelas pessoas LGBTI+, através da Lei n.º 38 /2018, de 7 de agosto, e que, no seu todo, configuram um retrocesso na proteção dos direitos humanos.

Medidas como a exigência de diagnósticos médicos para se proceder à alteração do nome e do género no registo civil e a eliminação do direito ao nome social, representam um atentado à autodeterminação da pessoa, degradando a sua saúde mental e o seu bem-estar físico e emocional. Isto acontece depois de o Tribunal de Justiça da União Europeia afirmar, que os Estados-Membros devem reconhecer a identidade de género de todas as pessoas.

Para assegurar que a igualdade das pessoas LGBTI+ esteja incluída em todas as políticas da União Europeia, a Comissão Europeia adotou a Estratégia para a Igualdade de Tratamento das Pessoas LGBTI+ para o período 2026-2030, que visa combater o ódio, fomentar a liberdade e a inclusão.
No dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, o ODH está ao lado das pessoas LGBTI+ na luta pelos seus direitos, que ao contrário do que se tem constatado em alguns países do mundo, deveriam ser universais e transversais a todas as pessoas.

Tânia Azevedo
ODH

15/05/2026
Mês abril - sensibilização sobre maus tratos infantis.
03/04/2026

Mês abril - sensibilização sobre maus tratos infantis.

Quando sentimos o peso do excesso, desacelerar nunca é sinal de fraqueza.É reconhecer limites e procura de equilíbrio in...
16/02/2026

Quando sentimos o peso do excesso, desacelerar nunca é sinal de fraqueza.
É reconhecer limites e procura de equilíbrio interno.

# Autocuidado
# Saúde mental

Endereço

Despertar Formação E Psicologia, Lda
Viana Do Castelo
4900-470

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 18:00 - 20:00
Terça-feira 18:00 - 20:00
Quarta-feira 18:00 - 20:00
Quinta-feira 18:00 - 20:00
Sexta-feira 18:00 - 20:00
Sábado 09:00 - 13:00

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Carla Ravazzini - Psicóloga Clínica publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Carla Ravazzini - Psicóloga Clínica:

Compartilhar

Categoria