30/08/2026
É muito comum partilharem connosco que o familiar não vai aderir ao acompanhamento porque recusa as atividades de estimulação cognitiva.
E muitas vezes a interpretação é que:
“Ele/a já não quer.”
“Não está motivado.”
“Já não tem interesse em nada.”
Mas antes de concluirmos isso, há outra pergunta que vale a pena fazer:
As atividades que lhe são propostas fazem sentido para esta pessoa?
Na demência, não basta escolher uma atividade porque “estimula a memória” ou porque é considerada adequada para a idade.
É preciso conhecer a pessoa.
✍️ O que fazia?
✍️ Do que gostava?
✍️ Que papéis desempenhou ao longo da vida?
✍️ O que ainda consegue fazer?
✍️ O que lhe desperta interesse?
E, sobretudo, o que continua a ter significado para ela? 🙌🏽
Uma atividade pode ser excelente para uma pessoa e completamente desadequada para outra.
E quando uma pessoa recusa repetidamente aquilo que lhe propomos, a pergunta não é:
“Como a faço participar?”
Mas antes:
“O que posso mudar naquilo que estou a propor?”
Porque estimular não é simplesmente ocupar o tempo.
É criar oportunidades para a pessoa continuar a participar, a escolher, a sentir-se capaz e a manter uma ligação com aquilo que é.
É por isso que, no Dom Sénior, não partimos de atividades pré-definidas para depois tentar encaixá-las na pessoa.
Spoiler: não existem “atividades para pessoas com demência”.
Existem PESSOAS.
Pessoas que vivem com demência e para as quais é necessário perceber como podemos ajudá-las a continuar a envolver-se nas atividades do seu dia a dia, nos seus gostos e nos seus interesses.
Partimos da pessoa.
Da sua história, dos seus interesses, das suas capacidades atuais e daquilo que ainda lhe faz sentido.
Porque uma intervenção verdadeiramente centrada na pessoa não pergunta apenas:
“O que podemos trabalhar?”
Pergunta também:
“Quem é esta pessoa e como podemos continuar a envolvê-la na sua própria vida?”