Psicóloga Clínica Filipa Cameirinha

Psicóloga Clínica Filipa Cameirinha Psicologia - Neuropsicologia - Psicoterapia - Nutrição - Fisioterapia - Psicologia do Trabalho

Nem tudo o que em ti foi chamado “demais” é excesso. Há características, intensidades, formas de pensar ou modos de sent...
29/07/2026

Nem tudo o que em ti foi chamado “demais” é excesso. Há características, intensidades, formas de pensar ou modos de sentir que só se tornam problema porque foram colocados em lugares demasiado pequenos... Lugares que não entenderam, que não estiveram disponíveis ou que se sentiram ameaçados pelo espaço que ocupavas. A psicoterapia também pode ser um espaço para distinguir aquilo que precisa de ser transformado daquilo que apenas precisou, durante demasiado tempo, de pedir desculpa por existir.

há formas de estar que não cabem em todos os lugares e aqui não é diferentese f**ares, já sabes com o que contar 🤭
21/07/2026

há formas de estar que não cabem em todos os lugares e aqui não é diferente

se f**ares, já sabes com o que contar 🤭

O passado não desaparece apenas porque cresces, não se apaga por decisão e (infelizmente) não deixa de existir porque pe...
08/07/2026

O passado não desaparece apenas porque cresces, não se apaga por decisão e (infelizmente) não deixa de existir porque percebeste de onde veio.

Tenho refletido em consulta sobre esta questão de algo teu "desaparecer"... Porque talvez a questão não seja apagar, talvez seja poder olhar para essas cores sem que elas pintem tudo da mesma forma.

Há experiências antigas que continuam a aparecer no presente: numa reacção intensa, numa dificuldade em confiar, numa expectativa de abandono, numa tendência para antecipar o pior, numa forma de amar como se fosse preciso estar sempre em alerta. E, muitas vezes, a mudança acontece quando essas experiências deixam de ser alvos do desejo de aniquilar:

Quando uma memória pode ser reconhecida como memória.
Quando uma defesa pode ser escutada antes de comandar.
Quando uma dor antiga já não precisa de decidir por ti em todas as relações.

O passado não precisa de desaparecer para deixar de mandar em tudo.

Talvez amadurecer seja, em parte, isto: não viver sem passado, mas poder existir com ele de uma forma menos obediente.

Nem tudo o que te marca é um acontecimento enorme.Há experiências que não são uma ruptura evidente e por isso passam bem...
17/06/2026

Nem tudo o que te marca é um acontecimento enorme.

Há experiências que não são uma ruptura evidente e por isso passam bem despercebidas...

Uma ausência que se repete.
A inconsistência que se torna previsível.
O medo que organiza o comportamento.
Uma forma de humilhação que ensina a encolher.
O silêncio que obriga a adivinhar.
O desamparo que deixa de surpreender.

O que traumatiza não é apenas o que aconteceu uma vez. É o que aconteceu vezes suficientes para deixares de esperar cuidado, reparação, acolhimento... E, quando isto se torna estrutura interna, cresces a chamar “normal” ao que foi apenas familiar: uma repetição suficientemente longa para que comeces a viver como se não pudesses esperar mais.

A compreensão é importante, mas nem tudo em nós responde imediatamente à razão.Há repetições que vêm de zonas mais antig...
20/05/2026

A compreensão é importante, mas nem tudo em nós responde imediatamente à razão.

Há repetições que vêm de zonas mais antigas: formas de procurar amor, reconhecimento, segurança, reparação ou pertença. Mesmo quando já conseguimos entendê-las. Mesmo quando sabemos que nos magoam, que nos prendem a situações onde já não queremos estar, a lugares internos com os quais já não concordamos.

O problema é que repetir nem sempre é falta de consciência. Em consulta, as respostas da minha parte são raras e sei quão frustrante posso ser. Mas quando alguém pergunta “porque é que faço isto?”, penso muitas vezes na ditadura dos porquês: essa expectativa de que uma explicação clara venha finalmente interromper aquilo que insiste.

Às vezes, a pergunta precisa de se deslocar. Em vez de um porquê, outros tantos: “o que é que em mim ainda precisa disto?”, "que parte de mim continua a procurar este lugar?”, “quando me frustro por estar outra vez a fazer o mesmo, o que gostaria de ter conseguido fazer diferente?”, "será que me estou a defender? se sim, de quê?".

Escutar com mais profundidade, para mim, é isto: interromper o ciclo imediato da ação-reação, perceber-fazer-mudar. É poder criar um intervalo entre o impulso e a resposta, os gestos automáticos. No fundo, a repetição e a possibilidade de elaboração.

E isso não é rápido nem fácil, mas parece-me muito mais transformador... Permanecer tempo suficiente com as perguntas, as hipóteses, os entendimentos racionais, o olhar. Há sempre um motivo para fazermos o que fazemos, os teus podem estar nos sítios mais inesperados.

Abres essa caixinha?
Filipa

A estrutura nem sempre é rigidez. Às vezes, é a forma mínima que permite continuar.Penso nele como um lugar interno para...
12/05/2026

A estrutura nem sempre é rigidez. Às vezes, é a forma mínima que permite continuar.
Penso nele como um lugar interno para onde voltar, um ritmo, um compromisso. Uma presença que não exige perfeição, mas também não abandona.

Winnicott falava do holding como essa experiência de ser sustentado de modo suficientemente bom: uma sustentação que permite existir sem cair em queda livre. Na vida adulta, continuamos a precisar de alguma forma de holding.

Para quê? Para não f**armos entregues à dispersão, à indefinição, à exigência do perfeitinho bonitinho, à sensação silenciosa de não haver onde pousar.

Que formas te sustentam sem te endurecer?
Filipa

O 25 de Abril é um evento. A tua liberdade individual é um processo.Celebrar a liberdade na rua sem varrer a poeira das ...
28/04/2026

O 25 de Abril é um evento. A tua liberdade individual é um processo.

Celebrar a liberdade na rua sem varrer a poeira das expectativas alheias que ainda te sufocam é uma ilusão. Se tens estado a sentir uma desconexão entre o que desejas, o uqe O manual do adulto 'útil' e 'perfeito' é uma prisão com boa iluminação.

Na clínica, liberdade é quando começas a ouvir a tua própria voz por cima do ruído de quem escreveu o script para ti. O trono que pensas que deves ocupar é teu. Mudar os móveis mentais de sítio exige rigor.

Estás aí?

Hoje saí à rua mas não fui passear. Hoje não foi para isso.Não gritei, não corri e não pulei. Hoje não foi para isso.Não...
25/04/2026

Hoje saí à rua mas não fui passear. Hoje não foi para isso.

Não gritei, não corri e não pulei. Hoje não foi para isso.

Não fui ao concerto de x ou y nem à festa z. Hoje não foi para isso.

Não defendo cores específ**as mas há uma coisa que tenho em mim que é inegociável: o valor da liberdade.

E se hoje vi algumas publicações e comentários contra estas celebrações, posso dizer que vi muitas mais pessoas a descer na Avenida. Fiquei longe do telemóvel e das redes. Hoje não foi para isso.

Hoje

After Life, classif**ada como comédia com o genial Ricky Gervais. Poucas gargalhadas, muita reflexão e um final regado c...
16/02/2026

After Life, classif**ada como comédia com o genial Ricky Gervais. Poucas gargalhadas, muita reflexão e um final regado com lágrimas e muito afeto no peito.

O "superpoder" de não querermos saber de nada acaba quando percebemos que precisamos uns dos outros. Fez-me pensar em algumas pacientes, em momentos diferentes, histórias diferentes mas o mesmo sentir. Que a vida
Que às vezes, quem nos salva é a senhora viúva no banco do cemitério, o carteiro que nos irrita, ou o cão que só precisa que lhe abram a lata de comida 🐕

A vida adulta dói. A perda dói.
Mas, tal como o Tony descobre (e nós tentamos lembrar todos os dias aqui no centro): a bondade é a única coisa que realmente importa.

Se estás a passar por um momento "cinzento", f**a a recomendação desta série. Não para "curar", mas para te sentires menos sozinho na tua humanidade.

Boa noite. 🌙

After Life, classif**ada como comédia com o genial Ricky Gervais... Gargalhadas? Poucas, muita reflexão. E no final umas...
16/02/2026

After Life, classif**ada como comédia com o genial Ricky Gervais... Gargalhadas? Poucas, muita reflexão. E no final umas

Ensinou-nos que o "superpoder" de não querermos saber de nada acaba quando percebemos que precisamos uns dos outros.
Que às vezes, quem nos salva é a senhora viúva no banco do cemitério, o carteiro que nos irrita, ou o cão que só precisa que lhe abram a lata de comida. 🐕

A vida adulta dói. A perda dói.
Mas, tal como o Tony descobre (e nós tentamos lembrar todos os dias aqui no centro): a bondade é a única coisa que realmente importa.

Se estás a passar por um momento "cinzento", f**a a recomendação desta série. Não para "curar", mas para te sentires menos sozinho na tua humanidade.

Boa noite. 🌙

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