Dra. Joana Dolgner - Psicologia e Hipnose Clínica

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10/09/2026

O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio - 10 de setembro

Em caso de emergência, ligue 112 (INEM).
Linha de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico - 1411

Em situação de crise, ligue 808 24 24 24 (Serviço de Aconselhamento Psicológico da Linha SNS24).

Linhas de Apoio que garantem o anonimato:
SOS Voz Amiga | 15h30 às 00h30 | 213 544 545 / 912 802 669 / 963 524 660
Conversa Amiga | 15h às 22h | 808 237 327 / 210 027 159
Telefone da Amizade | 16h às 23h | 228 323 535
Linha Nacional de Prevenção do Suicídio | 24h | 1411

Desinquieto-te, convidando-te a olhar para dentro e a refletir sobre um tema que, muitas vezes sem nos apercebermos, con...
05/09/2026

Desinquieto-te, convidando-te a olhar para dentro e a refletir sobre um tema que, muitas vezes sem nos apercebermos, condiciona as nossas atitudes, escolhas e ações: o ego.

As manifestações subtis do ego nem sempre se apresentam como arrogância ou vaidade. Muitas vezes, escondem-se na necessidade de reconhecimento, de controlo, de ter razão ou de sermos vistos de determinada forma. E, curiosamente, podem até disfarçar-se de humildade, altruísmo ou racionalidade.

O ego, por si só, não é "mau". Ajuda-nos a construir uma identidade e a relacionarmo-nos com o mundo. O desafio surge quando nos identificamos demasiado com essa identidade e passamos a reagir para a proteger, em vez de respondermos à realidade tal como ela é.

Reagimos para provar que temos razão. Para sermos aceites. Para não parecermos fracos. Para manter o controlo. Para proteger a imagem que construímos de nós mesmos.

E talvez uma das perguntas mais incómodas seja: quantas das nossas ações nascem verdadeiramente daquilo que somos e quantas nascem da necessidade de provar quem pensamos que somos?

Eu própria vou reconhecendo estes mecanismos em mim, à medida que observo com mais honestidade as minhas reações, os meus medos e as minhas necessidades de validação. É um caminho de aprendizagem e consciência contínua.

Esta reflexão não nasce de um lugar de superioridade ou julgamento. Nasce da consciência de que todos estamos, de alguma forma, a aprender a olhar para além da imagem que construímos de nós mesmos.

Porque talvez a verdadeira liberdade comece quando deixamos de sentir que precisamos de provar alguma coisa — aos outros ou a nós próprios.

Questiona-te: Estarei a agir para responder à realidade tal como ela é, ou para proteger a imagem que tenho de mim mesmo?

02/09/2026

“Desculpa…” — Responsabilidade ou crença?

Este tema poderia ser abordado sob muitos pontos de vista.

Curiosamente, após gravar este vídeo, atendi uma paciente que referia sentir-se culpada por não dar resposta às inúmeras solicitações de familiares e amigos que sempre contaram com a sua total disponibilidade para atender às suas necessidades emocionais.

A paciente está esgotada, no limite, por não conseguir dizer “Basta!”, por não conseguir dizer “Não estou disponível!”.

Esta é uma das pessoas que pede desculpa por não estar disponível para o outro, quando, na realidade, há muito tempo que não tem estado disponível para si mesma.

Aqui, podemos perceber a presença de uma crença irracional: “Vou desiludir o outro.”

Aprendeu, desde cedo, que o amor é condicional e, enquanto adulta, entrega-se.

Mas também existe a questão da responsabilidade. E, aqui, a questão é a mesma: LIMITES.

Pedir desculpa ao outro por um ato nosso que possa ter ofendido, magoado ou desrespeitado exige consciência e maturidade.

Aquilo que, para nós, pode parecer irrelevante, se não o for para o outro, talvez mereça o reconhecimento de que ultrapassámos um limite — e esse reconhecimento pode ser acompanhado pela gentileza de um pedido de desculpas.

Às vezes, é uma palavra que tem uma interpretação diferente consoante o interlocutor. Outras vezes, é o reconhecimento de que não respeitámos o tempo do outro perante um atraso. Ou até quando nos comprometemos emocionalmente com alguém sem clarificarmos expectativas.

Pedir desculpa não é assumir culpa por tudo.
E estabelecer limites não é desiludir o outro.

Deixemos, por isso, o orgulho de lado.
Tomemos consciência e, a cada instante, ajamos em consonância com o que a situação exige.

Às vezes, já sabemos exatamente o que precisamos de fazer, mas continuamos a adiar, na expectativa de que surja o moment...
12/08/2026

Às vezes, já sabemos exatamente o que precisamos de fazer, mas continuamos a adiar, na expectativa de que surja o momento perfeito ou optando pelo caminho mais “confortável”.

Mas será conforto ou apenas a falsa sensação de controlo sobre aquilo que já conhecemos? Conforto nem sempre significa paz. Às vezes, significa apenas permanecer onde já não crescemos.

Nesta vida, já dei alguns saltos de fé, tanto a nível pessoal como profissional. Quando todos me diziam que era um risco, eu pensava: risco seria ficar onde já não cabia, onde o meu valor não era reconhecido, onde sentia que já não havia espaço para aprender e crescer.

Talvez a pergunta não seja “O que devo fazer?”, mas sim: “O que estou a evitar por medo de sair da minha zona de conforto?”

🦋 Porque, no fundo, muitas vezes, a resposta já está dentro de nós. Só precisamos de coragem para a seguir.

06/08/2026

E se o teu maior cansaço vier de passares a vida a tentar dar maçãs... quando nasceste para dar laranjas?

Há quem cresça a acreditar que, para ser amado, precisa de se transformar. Que tem de esconder a sua natureza, moldar-se às expectativas e oferecer aquilo que nunca lhe pertenceu.

Mas uma laranjeira nunca falha por não dar maçãs. Ela apenas floresce de forma diferente.

O teu valor não está naquilo que fazes para seres aceite. Está na coragem de honrares quem és, mesmo quando isso significa deixar de tentar caber onde nunca foste visto.

Porque o mundo não precisa de mais uma macieira. Precisa da beleza única das tuas laranjas. 🍊

A parábola da Verdade e da Mentira convida-nos a uma reflexão profunda, não apenas sobre a sociedade, mas também sobre n...
24/07/2026

A parábola da Verdade e da Mentira convida-nos a uma reflexão profunda, não apenas sobre a sociedade, mas também sobre nós próprios. A mentira raramente se apresenta como mentira; veste-se de verdade, conquista simpatias e encontra facilmente quem a siga, sobretudo quando confirma aquilo em que queremos acreditar. A verdade, pelo contrário, é exigente. Obriga-nos a questionar, a refletir e a admitir que podemos estar errados. É precisamente essa capacidade de se interrogar que, muitas vezes, é confundida com fraqueza, quando na realidade é um sinal de maturidade e consciência.

Esta parábola lembra-nos ainda do desafio em reconhecer as mentiras que contamos a nós próprios: as justificações, as crenças limitadoras, o orgulho que nos impede de pedir desculpa ou de assumir responsabilidades. Crescer é ter a coragem de enfrentar a verdade, mesmo quando ela é desconfortável, porque só ela permite aprender, evoluir e agir de forma coerente com os nossos valores.

E embora a mentira possa ser mais popular, mais convincente e reunir mais seguidores, a verdade não precisa de aplausos para continuar a ser verdade. E talvez essa seja a sua maior força: não se impõe, revela-se. Não procura vencer discussões, procura trazer consciência.

Desinquieto-te!

22/07/2026

Escuta!

Escutar é muito mais do que ficar em silêncio enquanto o outro fala. É estar presente, suspender os julgamentos e resistir à vontade de responder antes de compreender. Num mundo onde todos querem ser ouvidos, a verdadeira escuta tornou-se um gesto raro — e, talvez por isso, tão transformador.

Que hoje possamos falar um pouco menos e escutar um pouco mais.

Passamos demasiado tempo a comparar a nossa vida com a dos outros. Com quem parece ter mais sucesso. Com quem parece mai...
07/07/2026

Passamos demasiado tempo a comparar a nossa vida com a dos outros. Com quem parece ter mais sucesso. Com quem parece mais feliz. Com quem parece estar mais à frente. E, quando não é isso, comparamo-nos com quem está pior, apenas para sentirmos algum conforto.

Mas talvez nenhuma dessas comparações seja realmente útil.

A comparação mais saudável é com as diferentes versões de nós próprios.

Com a pessoa que já fomos quando nos sentíamos mais leves, mais disciplinados, mais confiantes ou mais presentes. Não para sentir saudade, mas para perguntar: o que fazia eu nessa altura que hoje deixei de fazer?

E também com a pessoa que já fomos nos dias mais difíceis. Aquela que duvidava, que tinha medo ou que achava que não ia conseguir. Olhar para trás e reconhecer o caminho percorrido é um exercício de gratidão e de consciência.

A nossa vida não é uma competição com a dos outros. É uma conversa contínua connosco.

A verdadeira evolução não está em ser melhor do que alguém. Está em ser uma versão mais consciente, mais serena e mais autêntica do que fomos ontem.

Porque a única comparação que realmente protege a nossa saúde mental é aquela que nos ajuda a crescer, sem nos diminuir.

🍀 Que a tua referência seja sempre a tua própria caminhada.

06/07/2026

E tu, danças as dores ou danças com as dores?

Dançar as dores é quando a dor toma conta da pista. O corpo, a mente e as emoções tornam-se a própria dor. A dança passa a ser uma expressão dela: cada movimento é moldado pela perda, pela raiva, pela culpa ou pelo medo. Há autenticidade nisso, porque a dor precisa de ser reconhecida. Mas, ao permanecermos nesse lugar, corremos o risco de deixar que a dor se torne a única coreógrafa da nossa vida. A nossa identidade começa a confundir-se com o sofrimento: eu sou a minha dor.

Já dançar com as dores transforma a relação. A dor continua presente, mas deixa de conduzir todos os passos. Torna-se uma parceira de dança, não a dona da música. Há momentos em que nos aproxima, outros em que nos desafia; por vezes pisa-nos os pés, por vezes apenas nos acompanha em silêncio. Nesta dança, há espaço para respirar, improvisar e escolher. A identidade deixa de ser definida pela dor: eu tenho uma dor, mas sou muito mais do que ela.

Do ponto de vista terapêutico, esta diferença traduz a passagem da fusão para a relação. Quando nos fundimos com a dor, reagimos automaticamente ao que ela dita. Quando nos relacionamos com ela, desenvolvemos a capacidade de a observar, de a escutar e de lhe responder com maior liberdade. Voltam a existir momentos de leveza, curiosidade, prazer e esperança — não porque a dor desapareceu, mas porque a vida recuperou espaço para acontecer.

Talvez a pergunta mais importante não seja: "Como deixo de sentir esta dor?" Mas antes: "Como posso continuar a dançar, mesmo com ela aqui?"

Curar nem sempre significa deixar de sentir dor. Muitas vezes, significa descobrir que continuamos capazes de criar beleza, vínculo e sentido, mesmo quando a dor continua a marcar o compasso de alguns momentos.

🧑‍🩰Passar de dançar as dores para dançar com as dores é regressar à nossa essência e à nossa liberdade. Não à liberdade de nunca sofrer, mas à liberdade de não permitir que o sofrimento escreva, sozinho, toda a coreografia da nossa vida.

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