14/08/2026
se a dificuldade com o dinheiro não estiver, afinal, a falar de dinheiro?
Hoje, numa constelação, a questão trazida estava ligada à escassez — à sensação de que o dinheiro chega, mas desaparece.
Mas o campo levou-nos para outro lugar.
Levou-nos até às mulheres.
Mulheres que, geração após geração, ficaram sozinhas.
Mulheres que tiveram de lutar, sustentar, continuar.
Uma mulher que foi mãe solteira.
Outras que viram os homens partir cedo, morrer ou simplesmente não ficar.
E apareceu uma palavra particularmente forte: loucura.
Mulheres que não foram compreendidas.
Mulheres que carregaram tanto que aquilo que sentiam deixou de caber no olhar dos outros.
Mulheres que chegaram a ser vistas ou acusadas de “loucas”.
E, curiosamente, no Caminho do Errante, voltou a surgir O Louco.
Tenho encontrado esta carta muitas vezes ligada aos excluídos — mas também à própria loucura, àqueles que não tiveram lugar, que foram julgados, afastados ou não compreendidos.
A Imperatriz surgiu ligada à lealdade.
E ali estavam elas: as mães, as mulheres, a força feminina que aprendeu que viver significava lutar e continuar, mesmo sozinha.
Mas ainda faltava alguém.
Quando colocámos a prosperidade, surgiu espontaneamente a representação de um rapaz. E havia, de facto, um irmão que não chegou a nascer.
Mais um que partiu.
Mais alguém que pertence, embora não tenha ficado.
E fez-se uma pergunta silenciosa:
A quem posso estar a ser leal quando sinto que aquilo que chega até mim não pode ficar?
Porque, por vezes, repetimos no dinheiro aquilo que existe na história familiar.
Se os homens partiram, talvez alguma coisa continue a partir.
Se houve crianças que não ficaram, talvez seja difícil permitir que algo permaneça.
Se as mulheres sobreviveram através da luta, talvez receber com tranquilidade pareça estranho.
Não significa que todas as dificuldades financeiras tenham uma origem sistémica. Mas algumas vezes, quando olhamos para além do dinheiro, encontramos histórias que nunca imaginámos encontrar.
E talvez prosperar também possa ser isto:
honrar quem partiu sem precisar de partir com eles.
Honrar quem lutou sem precisar de continuar a lutar.
E permitir que aquilo que chega até nós… finalmente possa ficar.