Mónica Rodrigues

Mónica Rodrigues Saúde e Comportamento da Mulher
Para a mulher que vive em alerta e precisa que a vida seja mais
Terapeuta integrativa • Formadora certificada
📍Gaia | Online

Espaço terapêutico, onde respeitamos o próximo e onde a saúde vem em primeiro lugar, de forma integrada, olhamos a pessoa como um todo, sem esquecer o equilíbrio dinâmico entre o corpo físico, o mental, o emocional, o energético e o espiritual.

Terminas uma tarefa e já estás mentalmente na seguinte. Chegas a um lugar e uma parte de ti já está a pensar a que horas...
08/08/2026

Terminas uma tarefa e já estás mentalmente na seguinte.
Chegas a um lugar e uma parte de ti já está a pensar a que horas tens de sair.

Até os momentos bons começam a ser vividos com pressa.
O café sabe bem, mas bebes enquanto respondes a uma mensagem.
O almoço junta pessoas de quem gostas, mas a cabeça continua numa conversa de trabalho.

Habituámo-nos a confundir presença com disponibilidade física.
Se estivemos no jantar, estivemos.
Se fomos de férias, descansámos.
Se passámos a tarde com os filhos, estivemos com eles.

Mas o corpo pode estar num sítio enquanto a cabeça continua presa no anterior ou a caminho do próximo.

E há uma altura em que percebemos que não nos faltaram momentos bons.
Faltou-nos estar inteira em alguns deles.

Há momentos que não precisam de ser produtivos, memoráveis ou bem aproveitados.
Precisam apenas de ter a tua presença enquanto estão a acontecer.

05/08/2026

Ela pagou noventa euros por uma massagem e passou a hora a organizar a semana na cabeça.
O elogio da chefe durou o tempo do email seguinte.
O abraço do filho a meio da tarde passou ao lado.

O jantar com as amigas que ela esperou três semanas. O sábado de sol. A promoção que demorou dois anos a chegar e não soube a nada.

Nas férias repetiu-se, com o volume mais alto. Ela chegou, olhou o mar e esperou. Esperou pela coisa que devia acontecer ali. E o corpo continuou a fazer a ronda como se ainda estivesse a trabalhar.
Ao quinto dia começou a suavizar. Ao sétimo fez as malas.
Depois veio a parte que ela não conta a ninguém. A culpa.

Tem uma vida boa. Sabe que tem. Vê os motivos todos alinhados e continua a assistir a tudo de longe.

Aí instala-se a pergunta que f**a só na cabeça dela: o que é que se passa comigo?

Enquanto o sistema procura a próxima ameaça, o prazer f**a na fila de espera.
Ninguém aproveita a vida de sentinela.

Por isso ela consegue descrever o dia inteiro ao pormenor e não consegue dizer o que sentiu nele. Conta o jantar todo ao pormenor e não sabe dizer se gostou.

As coisas boas aconteceram todas. Ela é que estava de serviço.

O corpo dela não está avariado. Está de serviço, há anos, sem ninguém lhe dizer que o turno acabou.

Reuni os cinco momentos do dia em que o corpo pede para sair de alerta, com uma prática de dois minutos para cada um. Comenta HORÁRIO e envio-te por mensagem.

O corpo dela nunca aprendeu a mentir. Foi por isso que ela deixou de o ouvir.Pensa na coerência disto. Ela gere equipas,...
29/07/2026

O corpo dela nunca aprendeu a mentir.
Foi por isso que ela deixou de o ouvir.

Pensa na coerência disto.
Ela gere equipas, orçamentos, a casa, a agenda de toda a gente.
Lê nas entrelinhas de um email o humor de quem o escreveu.
E o relatório que chega todos os dias, do sítio mais próximo que existe, f**a por abrir.

Há uma razão e é menos lisonjeira do que falta de tempo.
Ouvir tem consequências.
Se ela admitir que o maxilar cerrado tem um motivo, a pergunta seguinte é qual.
Se o sono de sentinela diz alguma coisa, o passo lógico é mudar alguma coisa.

Ignorar é a forma dela de manter o sistema a funcionar sem abrir esse processo.

O corpo faz o mesmo que qualquer bom funcionário faz com uma chefe que despreza avisos.
Deixa de mandar memorandos educados.
Passa a factos consumados.

Primeiro o suspiro, o açúcar às 16h, a linha lida três vezes.
Escalada silenciosa.
Depois a dor que aparece nos exames como "sem alterações", a irritação que assusta os filhos, a noite que passa sem descontar.

Cada sinal ignorado sobe um nível. Nenhum desiste. Sobem de tom até alguém atender.

As mulheres que chegam à minha consulta confirmam a sequência, quase sempre pela mesma ordem. Nenhuma chega por causa do suspiro.
Chegam pela dor nas costas, pela noite que não repara, pelo dia em que gritaram por um copo entornado.

O suspiro tinha avisado dois anos antes.

Guardar este carrossel é fácil.
Difícil é a outra parte: contar os sinais que são teus. Poucas fazem essa conta até ao fim e as que fazem raramente contam o resultado a alguém.
Talvez a uma amiga.
Quase sempre àquela que anda igual.

O corpo dela nunca deixou de falar.
Só foi mudando de tom até encontrar um que se ouvisse e doesse.

22/06/2026

Há uma pergunta importante que muitas mulheres não fazem.
Porque a resposta dá medo.

Quando foi a última vez que paraste, completamente, sem culpa?
Sem o telemóvel por perto.
Sem a lista mental do que f**a por fazer.
Sem a sensação de que devias estar a fazer outra coisa.

Para muitas mulheres essa memória não existe.

Porque algures, muito cedo, aprenderam que o seu valor estava no que faziam.
Não no que eram.

Que ser amada e ser útil eram a mesma coisa.
Que parar tinha um preço.
Que o mundo continuava a girar porque elas não paravam.

E o sistema nervoso aprendeu essa lição melhor do que qualquer outra.

Guardou-a.
Automatizou-a.
E continua a aplicá-la, mesmo quando já não faz sentido.
Mesmo quando já és adulta.
Mesmo quando já não precisas provar nada a ninguém.

A parte de ti que está em alerta não sabe que cresceste.
Não sabe que é seguro parar.
Nunca recebeu esse sinal.

E por isso cada vez que tentas descansar de verdade há qualquer coisa que resiste.
Que te lembra do que está por fazer.
Que te faz sentir que não mereceste ainda.

É um sistema de proteção muito antigo a fazer o único trabalho que conhece.

A terceira camada não está no corpo.
Está na história que aprendeste sobre quem és quando não estás a ser útil.

A mudança real começa quando percebes o que o teu sistema aprendeu sobre o que acontece quando paras e em dar-lhe, muito gradualmente, evidências de que está seguro ao fazer diferente.

Isso não se muda em três dias.
Mas começa com uma pergunta.

A pergunta com que terminei o vídeo.

Se ainda não sabes a tua resposta, criei um quiz que te ajuda a descobrir exatamente isso.
O resultado surpreende a maioria das mulheres que o fazem, porque finalmente tem um nome.

Está na minha bio.
Demora três minutos.

18/05/2026

Há uma matemática que ninguém te ensinou.

Cada vez que engoliste o que sentias para manter a paz, teve um custo.
Cada vez que disseste que estavas bem quando não estavas, teve um custo.
Cada vez que sorrias enquanto algo lá dentro apertava, teve um custo.

Porque aprendeste, algures muito cedo, que as tuas emoções ocupavam demasiado espaço num mundo que precisava que tu ocupasses o teu lugar.

Por isso fizeste o que fazem as mulheres mais capazes que conheço.

Aprendeste a continuar.

E f**aste tão boa nisso que deixaste de notar o que f**ava para trás.

O que ninguém conta é que esse arquivo não desaparece.
O corpo guarda o que a mente decidiu não sentir.
Guarda com uma precisão extraordinária.

E cobra.
Não de uma vez, não de forma dramática.
Mas todos os dias, em doses pequenas, no fundo de um cansaço que não tem explicação visível.

É o peso que trazes para casa sem saberes de onde vem.
É a irritabilidade que aparece sem razão aparente.
É chegares ao fim de um dia normal completamente vazia.

Não é por fraqueza.
É a conta de tudo o que foi sentido e nunca teve onde pousar.

A terceira camada é a mais profunda.
É a que vai mais longe do que o corpo.
E é a que mais muda quando finalmente é vista.

11/05/2026

O mais estranho não é o cansaço.

É explicares a alguém que dormiste oito horas, voltaste de férias há duas semanas e ainda assim acordares já esgotada.
E veres no olhar da outra pessoa que não faz sentido.
Que devia fazer sentido.
Que se dormiste e descansaste, o problema és tu.

E durante algum tempo acreditas nisso.

Começas a procurar o que estás a fazer mal.
Comes melhor.
Dormes mais cedo.
Tentas meditar.
Compras suplementos.
Fazes listas mais organizadas para sentires que tens controlo sobre alguma coisa.

E continuas igual.

Porque o que te consome não está na agenda.
Não está no prato.
Não está nas horas de sono.

Está no volume do que o teu cérebro processa em silêncio.
As decisões que antecipas antes de acontecerem.
Os problemas que resolves antes de existirem.
As conversas que ensaias enquanto dormes.

Esse trabalho não aparece em lado nenhum.
Não tem linha na lista de tarefas.
Não tem nome no calendário.

Mas tem um custo.

E é esse custo, invisível, silencioso, constante, que faz com que o descanso nunca seja suficiente.
Porque o sistema que gasta a energia nunca desligou de verdade.

Esta é a primeira camada.
Há mais duas.

05/05/2026

Há uma palavra que o mundo do desenvolvimento pessoal repete muito às mulheres.
Responsabilidade.

Como se fosse uma qualidade que lhes falta.
Como se o problema fosse não saberem ainda o suficiente sobre elas.

Mas eu trabalho com mulheres há mais de dez anos. E posso dizer-te o que vejo.

Vejo mulheres que acordam antes de toda a gente.
Que adormecem a pensar no que falta fazer amanhã.
Que gerem casas, carreiras, filhos, pais, equipas. Muitas vezes em simultâneo.
Que engolem o cansaço em seco porque não há tempo para o sentir.
Que dizem que estão bem quando não estão.
Porque parar parece fraqueza.
E pedir ajuda parece ainda pior.

Estas mulheres não precisam de aprender sobre responsabilidade.
Dominam-na há uma vida inteira.
Só nunca lhes disseram que podiam aplicá-la a si próprias.

O que falta não é conhecimento.
É permissão.
Permissão para se colocarem em primeiro lugar sem culpa.
Para dizerem não sem precisar de justif**ar.
Para descansarem sem merecerem o descanso primeiro.
Para existirem. Não apenas para servir.

O esgotamento feminino não é um problema de gestão do tempo.
Nem de falta de organização.
Nem é fraqueza.

É o resultado de décadas de uma responsabilidade que sempre apontou para fora.
E nunca para dentro.

O meu trabalho existe para mudar isso.
Para que nenhuma mulher precise chegar ao limite para se dar permissão de parar.
Para que o corpo não precise gritar o que a voz nunca disse.

Se isto fala contigo, estás no lugar certo.

25/04/2026

Há momentos em que tudo parece maior do que é.

Não porque a vida ficou mais difícil de um momento para o outro, mas porque estás há demasiado tempo em esforço.

Quando estás nesse estado, perdes medida.
Tudo ganha urgência.
Tudo parece importante.
Tudo pede resposta imediata.

E deixas de conseguir distinguir
o que é realmente importante…
do que só está a parecer.

Falta espaço. Espaço interno.
E sem espaço, tudo cresce.

Às vezes não precisas de fazer mais.
Às vezes só precisas abrandar o suficiente
para voltar a ver.

22/04/2026

Há padrões que não começam nas decisões que tomas hoje.
Começam muito antes. Na forma como aprendeste a ser.

A ser forte.
A ser disponível.
A ser quem resolve.

E também…
a esperar.
a adaptar.
a não incomodar.

Durante muito tempo, isso funciona.
És reconhecida. Confiam em ti. Contam contigo.

Mas há um momento em que começa a pesar.
Porque estás a sustentar uma versão de ti que já não te serve.

E o mais difícil não é perceber isso.
É aceitar o que vem a seguir.

Porque deixar essa “armadura”
ou parar de esperar por validação…
implica escolheres-te de uma forma que nem sempre é confortável.
Nem sempre é óbvia.
Nem sempre é acompanhada.

E é por isso que tantas mulheres sabem…
mas continuam exatamente no mesmo lugar.

Durante anos fui a mulher que tinha tudo sob controlo. Até que percebi que estava a pagar um preço que ninguém via.O bur...
15/04/2026

Durante anos fui a mulher que tinha tudo sob controlo.
Até que percebi que estava a pagar um preço que ninguém via.

O burnout não avisa com fogo de artifício.
Chega devagar, em forma de cansaço, de irritação, de vazio.

E ninguém te ensina a reconhecê-lo a tempo.
Eu aprendi da forma difícil.

Hoje trabalho para que tu não precises.

Se isto fala contigo, estás no lugar certo.

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