07/08/2026
Hoje celebro-me.
Faz 22 anos que o meu corpo se abriu como um portal entre mundos - entre o invisível e o visível, entre o mistério da alma e o milagre da matéria. Foi por mim que o meu filho mais velho chegou a este mundo.
Hoje celebro a mulher que, há 22 anos, pariu.
A mulher que, antes de descobrir o que era ser mulher, descobriu o que era ser mãe - e que agarrou a vida com toda a força que tinha.
Aliás, a força nunca foi o problema. A força foi a armadura, enquanto tudo o resto ficava escondido debaixo dela.
Durante muito tempo, o que importava era continuar. Sustentar. Resolver. Agarrar.
Faz 22 anos que pari um filho mas, na verdade, faz muitos anos que me tenho parido a mim mesma. Uma e outra vez.
Morrer para uma versão.
Nascer para outra.
Deixar pedaços pelo caminho.
Recolher outros.
Vestir capas para sobreviver.
Despi-las para voltar a respirar.
Nem sempre me celebro.Há dias em que me esqueço de olhar para mim.
Há dias em que vejo apenas aquilo que ainda falta...
Mas hoje escolho diferente. Hoje escolho honrar-me, honrar esta mulher.
A que caiu e se levantou.
A que teve medo e avançou na mesma.
A que amou, perdeu, recomeçou e continuou a acreditar.
A que tantas vezes se esqueceu de si para ser tudo para todos.
Hoje olho para ela com ternura.
Com gratidão.
Sem lhe pedir que seja diferente daquilo que foi.
Porque cada versão desta mulher fez o melhor que sabia com aquilo que tinha.
E foi graças a todas elas que eu cheguei até aqui.
Hoje celebro-me.
Não porque a minha caminhada tenha sido um caminho limpo ou perfeito mas pela beleza crua de saber que, apesar de tudo, eu nunca desisti de me dar à luz outra e outra vez.
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