08/08/2026
➡️ Neurofeedback InfraSlow LORETA
O Neurofeedback InfraSlow com mapeamento cerebral LORETA é uma abordagem avançada no Neurofeedback Clínico que permite intervir em níveis profundos da autorregulação cerebral.
Combina dois grandes avanços:
• InfraSlow / InfraLow Neurofeedback – trabalha com as frequências cerebrais mais lentas (abaixo de 0.5 Hz), associadas à regulação emocional, autonómica e cognitiva, com impacto demonstrado na conectividade entre redes cerebrais (Perez et al., 2021; Adhia et al., 2022).
• LORETA (Low Resolution Brain Electromagnetic Tomography) – permite localizar em tempo real regiões específicas do cérebro envolvidas na desregulação, possibilitando intervenções mais direcionadas e individualizadas, implicando a colocação de pelo menos 19 elétrodos (Congedo et al., 2004; Cannon, 2012).
✔️ Para que serve?
O Neurofeedback InfraSlow LORETA é particularmente útil:
1. Em casos resistentes, quando o neurofeedback tradicional ou o InfraSlow bipolar não produzem os efeitos esperados.
2. Para aprofundar o trabalho clínico, mesmo após bons resultados com outras modalidades, permitindo consolidar e ampliar os ganhos terapêuticos.
Ou seja, pode ser tanto uma alternativa em situações complexas como um passo seguinte natural no processo terapêutico.
✔️ O que oferece de diferente?
• Protocolos altamente individualizados
• Maior precisão na identificação das regiões cerebrais implicadas nos sintomas
• Maior potencial de mudança em níveis profundos de regulação cérebro–corpo
Estudos com neurofeedback Infraslow localizado por fonte mostram alterações na conectividade efetiva entre regiões cerebrais envolvidas na emoção e autorregulação (Adhia et al., 2022; Mathew et al., 2022).
✔️Protocolo exemplo: RT Anterior Insula Up
Este protocolo atua sobre a ínsula anterior direita, uma região central da Rede de Saliência.
A ínsula anterior direita participa na perceção dos estados internos do corpo (interocepção) e na integração emoção–corpo (Craig, 2009), sendo um nó-chave da Rede de Saliência (Menon & Uddin, 2010).
De forma simples, a Rede de Saliência funciona como um “diretor de trânsito” do cérebro: decide o que é importante, para onde vai a atenção e se o corpo deve ativar ou acalmar (Menon, 2011).
✔️O que este protocolo pode fazer, em termos gerais?
Quando esta rede está desregulada - algo comum em trauma, ansiedade, dissociação, depressão, psicose ou dor crónica - o sistema nervoso perde a capacidade básica de autorregulação (Menon, 2011; Uddin, 2015).
Ao reforçar funcionalmente a ínsula anterior direita através do Neurofeedback InfraSlow LORETA, este protocolo pode contribuir para:
• melhorar a perceção corporal
• estabilizar o nível de ativação do sistema nervoso
• reduzir estados persistentes de alarme ou colapso
• promover maior integração emocional
(Perez et al., 2021; Adhia et al., 2022).
Em termos clínicos, isto traduz-se frequentemente em:
• menos ansiedade difusa
• menos dissociação
• maior presença corporal
• maior estabilidade emocional
• melhor tolerância ao stress
Ou seja, o RT Anterior Insula Up não trabalha um diagnóstico específico - trabalha um mecanismo central de autorregulação, comum a múltiplas formas de psicopatologia, de acordo com modelos transdiagnósticos baseados em redes cerebrais (Menon, 2011).
Referências
Adhia, D. B., Mani, R., Turner, P. R., Vanneste, S., & De Ridder, D. (2022). Infraslow neurofeedback training alters effective connectivity in individuals with chronic low back pain: A secondary analysis of a pilot randomized placebo-controlled study. Brain Sciences, 12(11), 1514. https://doi.org/10.3390/brainsci12111514
Cannon, R. L. (2012). LORETA neurofeedback: Odd reports, observations, and findings associated with spatial specific neurofeedback training. Journal of Neurotherapy, 16(2), 164–167. https://doi.org/10.1080/10874208.2012.677611
Congedo, M., Lubar, J. F., & Joffe, D. (2004). Low-resolution electromagnetic tomography neurofeedback. IEEE Transactions on Neural Systems and Rehabilitation Engineering, 12(4), 387–397. https://doi.org/10.1109/TNSRE.2004.837823
Craig, A. D. (2009). How do you feel—now? The anterior insula and human awareness. Nature Reviews Neuroscience, 10(1), 59–70. https://doi.org/10.1038/nrn2555
Mathew, J., Adhia, D. B., Smith, M. L., De Ridder, D., & Mani, R. (2022). Source localized infraslow neurofeedback training in people with chronic painful knee osteoarthritis: A randomized, double-blind, sham-controlled feasibility clinical trial. Frontiers in Neuroscience, 16, 899772. https://doi.org/10.3389/fnins.2022.899772
Menon, V. (2011). Large-scale brain networks and psychopathology: A unifying triple network model. Trends in Cognitive Sciences, 15(10), 483–506. https://doi.org/10.1016/j.tics.2011.08.003
Menon, V., & Uddin, L. Q. (2010). Saliency, switching, attention and control: A network model of insula function. Brain Structure and Function, 214(5–6), 655–667. https://doi.org/10.1007/s00429-010-0262-0
Perez, T. M., Mathew, J., Adhia, D., & De Ridder, D. (2021). Infraslow neurofeedback update. NeuroRegulation, 8(4), 198–219. https://doi.org/10.15540/nr.8.4.198
Uddin, L. Q. (2015). Salience processing and insular cortical function and dysfunction. Nature Reviews Neuroscience, 16(1), 55–61. https://doi.org/10.1038/nrn3857