21/07/2026
É normal que os bebés tenham necessidade de sucção. Para além de ser fundamental para a alimentação, a sucção também ajuda na autorregulação emocional e no conforto da criança. É por isso que distinguimos a sucção nutritiva (alimentação) da sucção não nutritiva (como a chupeta ou a sucção digital), ambas importantes nas primeiras fases do desenvolvimento.
Contudo, quando os hábitos de sucção não nutritiva persistem para além da idade recomendada, podem começar a interferir no desenvolvimento adequado da boca, da face e das funções orais. Segundo a American Academy of Pediatric Dentistry (AAPD, 2024), a utilização prolongada da chupeta e a sucção digital estão associadas a um maior risco de alterações dentárias e orofaciais.
Entre os hábitos orais mais frequentes encontramos:
* Uso prolongado da chupeta;
* Chuchar no dedo;
* Uso prolongado do biberão;
* Roer unhas (onicofagia);
* Ranger os dentes (bruxismo);
* Morder lábios, língua, bochechas ou objetos.
Porque é importante intervir?
O crescimento da face depende de um delicado equilíbrio entre forma e função. A forma das estruturas influencia a sua função, mas a função também molda o crescimento dessas estruturas. Isto significa que a forma como a criança respira, mastiga, engole e posiciona a língua pode influenciar diretamente o desenvolvimento dos maxilares e da dentição. Este conceito é amplamente descrito na literatura sobre motricidade orofacial e terapia miofuncional (Mason, 2011; ASHA, 2024).
Quando um hábito oral nocivo se mantém durante muito tempo, podem surgir alterações como:
- Mordida aberta;
- Língua em posição baixa;
- Respiração oral;
- Alterações na produção dos sons da fala;
- Dificuldades na mastigação e deglutição;
- Alterações no crescimento das estruturas orofaciais.
Nem todas as crianças desenvolvem estas alterações da mesma forma.
Segundo a Tríade de Graber, o impacto de um hábito depende de três fatores fundamentais:
- Intensidade
- Frequência
- Duração
Ou seja, quanto mais intenso, frequente e prolongado for o hábito, maior será a probabilidade de provocar alterações no desenvolvimento craniofacial (Graber, 1959; Proffit et al., 2019).
E a chupeta?
A chupeta pode ser um recurso importante nos primeiros meses de vida, ajudando a acalmar o bebé e estando até associada a uma redução do risco de Síndrome de Morte Súbita do Lactente durante o sono no primeiro ano de vida, quando utilizada de acordo com as recomendações da American Academy of Pediatrics (AAP, 2022).
No entanto, após esta fase, o seu uso deve ser progressivamente reduzido.
A American Academy of Pediatric Dentistry (2024) recomenda que a retirada da chupeta ocorra idealmente aos 2 anos,
Como ajudar a criança?
A retirada da chupeta ou de outro hábito oral raramente depende apenas da força de vontade da criança. Muitas vezes existe uma componente emocional, comportamental e funcional que deve ser compreendida e respeitada.
A intervenção do terapeuta da fala é essencial para compreender a origem do hábito e promover a sua eliminação, atuando simultaneamente na reeducação das funções orais, como a respiração, mastigação, deglutição e postura da língua, fundamentais para um desenvolvimento orofacial saudável (ASHA, 2024)
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