02/04/2026
O que frequentemente é interpretado por pais e professores como preguiça, distração, desmotivação, evasão ou desorganização pode, na verdade, reflete um cérebro ainda em desenvolvimento, particularmente imaturo na regulação de processos como:
• motivação intrínseca
• persistência em tarefas
• modulação dopaminérgica (recompensa)
• flexibilidade cognitiva
• pensamento episódico futuro
• memória prospetiva
Para compreender a procrastinação, é essencial perceber o que a neurociência nos diz sobre o cérebro. O córtex pré-frontal, responsável pelas funções executivas (planeamento, tomada de decisão, persistência em tarefa), ainda é imaturo nas crianças e jovens, estando fortemente dependente da dopamina.
Por sua vez, a dopamina é mais facilmente ativada por estímulos internos que sejam divertidos, interessantes e com recompensas imediatas, o que ajuda a explicar a dificuldade em iniciar ou manter tarefas menos estimulantes.
A memória prospetiva ainda em desenvolvimento contribui para dificuldades no pensamento episódico futuro, na antecipação de recompensas (ex: “quando conseguir esta nota vou sentir-me orgulhoso”) e na capacidade de adiar gratificações. Como resultado, a criança procura constantemente estímulos com recompensa imediata, evitando o tédio.
Por último, estes comportamentos podem também estar a mascarar fatores emocionais muito relevantes, como o medo de errar, a insegurança ou a ansiedade.
Compreender é o primeiro passo para intervir melhor.