17/07/2026
Passamos boa parte da vida protegendo uma identidade que construímos para sermos amados.
Ela nasceu como uma forma de adaptação. Em algum momento da vida, acreditamos que precisaríamos ser de um determinado jeito para sermos aceitos, valorizados ou amados.
Aos poucos, essa adaptação deixa de ser apenas uma estratégia e passa a parecer quem somos.
Então começamos a protegê-la.
Tentamos ser mais fortes, mais competentes, mais agradáveis, mais eficientes. Não porque essas qualidades sejam um problema, mas porque passamos a acreditar que nosso valor depende delas.
O problema é que essa identidade costuma ser sustentada por uma versão idealizada de nós mesmos. E sustentar uma versão idealizada exige um esforço que, muitas vezes, se torna insustentável.
Talvez por isso tantas pessoas vivam cansadas, culpadas ou com a sensação de serem inadequadas ou de nunca serem suficientes.
Existem diferentes tradições que descrevem esse fenômeno de maneiras distintas. Algumas falam em ego, outras em persona, personagem ou identidade construída. Os nomes mudam. O fenômeno permanece.
A liberdade talvez não comece quando conseguimos aperfeiçoar essa identidade. Mas talvez quando começamos a deixar de protegê-la para existir em paz.