Aconselhamento Genético com Ruxanda

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Aconselhamento Genético com Ruxanda 🧬Tornar a genética compreensível para todos!
💬Informação clara para decisões conscientes em saúde.
📍Portugal

29/09/2026

Sabia que a Síndrome de Lynch é a principal causa de cancro colorretal hereditário? 🧬 

• Estima-se que 1 em cada 279 a 450 pessoas seja portadora na população geral. Em Portugal, calcula-se que apenas cerca de 5% destes indivíduos estejam corretamente diagnosticados.

• Em cada 100 doentes com cancro colorretal, 3 a 5 têm a síndrome.

• O risco cumulativo de desenvolver cancro colorretal pode atingir os 74% nos homens e 52% nas mulheres. Nas mulheres, o cancro do endométrio é muitas vezes o cancro sentinela, com um risco até 71%. Existe também risco acrescido para neoplasias do ovário, estômago, pâncreas, intestino delgado e vias urinárias. 

Ter uma história familiar de cancro do cólon ou do endométrio em idade precoce não é uma coincidência. Fale com um médico ou aconselhador genético para avaliar o seu risco e o da sua família. 🩺

Durante décadas, a ciência cometeu o erro de lhe chamar “ADN lixo”. Parecia um contrassenso biológico carregar tanto mat...
28/09/2026

Durante décadas, a ciência cometeu o erro de lhe chamar “ADN lixo”. Parecia um contrassenso biológico carregar tanto material sem que dele resultasse uma única proteína.
A grande surpresa do Projeto Genoma Humano não foi a abundância de genes, mas a sua escassez: partilhamos sensivelmente o mesmo número de genes codificantes com um verme microscópico (C. elegans). O que nos torna organismos tão complexos não é a quantidade de “peças”, mas a mestria da partitura que orquestra todo o sistema.

Hoje compreendemos que muitas das respostas para a variabilidade humana, suscetibilidade a doenças e regulação fina do organismo estão escondidas fora das zonas óbvias. Analisar apenas os genes é o equivalente a ler unicamente as palavras a negrito de um livro e esperar compreender toda a narrativa.

Já conhecia o termo “ADN lixo”? Conte-me nos comentários como vê esta complexidade.

24/09/2026

Hoje no 1.º plenário da 3.ª edição do Health Parliament Portugal🇵🇹, e como deputada da comissão de prevenção e diagnóstico, tive 3 minutinhos para me apresentar e identificar algumas das medidas que proponho neste parlamento. Infelizmente o tempo foi muito curtinho (e eu sei que tenho de trabalhar nos meus “ah” e “em”s quando estou sob alguma pressão! 🤪), mas quis focar em 3 aspetos essenciais para mim:
1️⃣A medicina genómica não se faz apenas com máquinas, faz-se com quem sabe interpretar e comunicar riscos a famílias inteiras. É urgente que se regulamente a profissão e crie a carreira de Aconselhador Genético em Portugal. Estes profissionais, que aliás Portugal já qualifica a nível de mestrado, são fundamentais integrados em equipas hospitalares, para validar histórias familiares, realizar aconselhamento pré e pós-teste e orientar te**es em cascata, atuando em articulação com os Médicos Geneticistas e podendo ainda servir de consultores de apoio direto aos Médicos de Família nos centros de saúde.

2️⃣ Levar a genómica preventiva para a proximidade das ULS. Isto significa introduzir ferramentas de estratificação de risco, como os Scores de Risco Poligénico, para apoiar a decisão nos rastreios oncológicos e cardiovasculares, e aplicar painéis de farmacogenómica na prescrição eletrónica habitual para antecipar reações adversas a medicamentos e otimizar custos com terapêuticas ineficazes.

3️⃣ Circuitos de governação clínica e literacia. Países como a Estónia e o Reino Unido mostram-nos que a devolução de resultados de projetos populacionais aos utentes só funciona com regras éticas claras, recontacto e literacia em saúde e genética, garantindo que o cidadão compreende efetivamente o significado da sua informação genética.
A medicina genómica vai ser a base da prevenção na próxima década. A escolha não é entre aplicá-la ou não, mas sim se a vamos implementar a tempo, com equidade e sustentabilidade para todos os utentes.

Acompanhem a minha jornada pelo HPP!



22/09/2026

Afinal, o que dita a biologia da queda de cabelo? 🧬

A ideia popular de culpar apenas o avô materno ignora a complexidade genómica da alopecia androgenética. O fenótipo resulta de uma arquitetura estritamente poligénica:

Gene AR (Xq12): Codifica o recetor de androgénios no cromossoma X. É o locus com maior tamanho de efeito individual e determina a suscetibilidade folicular à di-hidrotestosterona (DHT), explicando a visibilidade da linhagem materna.

Locus 20p11 (Autossómico): Segundo sinal mais robusto identificado em GWAS. Regula elementos vizinhos como o gene PAX1, interagindo com a via androgénica de forma independente do cromossoma X.

Vias Wnt/β-catenina e TGF-β: Mais de 250 loci autossómicos distribuídos pelo genoma controlam a sobrevivência e a diferenciação das células estaminais do folículo piloso, encurtando a fase anagénica (fase de crescimento ativo).

Em vez de uma herança unilinear, o risco é o resultado cumulativo de uma pontuação poligénica transmitida em conjunto pelo pai e pela mãe.

19/09/2026

O verdadeiro desafio da medicina genómica não é só ler o ADN — é saber interpretar o que se lê.

Para quem quer aprofundar os detalhes técnicos deste avanço:

AlphaGenome Atlas: A base de dados aberta reúne cerca de 1 petabyte de dados genómicos e está acessível para consulta pública de investigadores e clínicos em `alphagenome.google/atlas`.
Métrica preditiva: As variantes são classificadas através do AVI score (AlphaGenome Variant Impact), que pondera em simultâneo alterações na cromatina, regulação da transcrição e mecanismos crípticos de splicing.
Artigo científico: Publicado recentemente na revista Nature sob o título «Molecular predictions for 9 billion human DNA variants with AlphaGenome» (disponível via nature.com ou através do repositório da Google DeepMind).

Guardem este post para consulta rápida e partilhem com quem trabalha em diagnóstico genético, bioinformática ou investigação clínica.

Que outro tópico da nova vaga de inteligência artificial em saúde gostavam de ver analisado por aqui?

15/09/2026

Será que a tendência para ter gémeos salta mesmo uma geração? 🧬

A verdade biológica divide-se entre o acaso e a hereditariedade:
Gémeos monozigóticos (idênticos): Resultam da divisão espontânea de um único embrião. Trata-se de um evento pós-zigótico aleatório — não é hereditário.
Gémeos dizigóticos (falsos): Resultam da fecundação de dois óvulos distintos. A predisposição para a hiperovulação tem base genética e depende da linhagem materna.

Base Genética e Epigenética:
FSHB: Modula os níveis de FSH; níveis basais mais altos favorecem a maturação de mais do que um folículo por ciclo.
SMAD3: Regula a sensibilidade ovariana ao sinal do FSH na via de sinalização do TGF-\beta.
GDF9 e BMP15: Fatores derivados do ovócito; variantes em heterozigotia estão classicamente associadas a ovulação múltipla.
Gémeos idênticos (Epigenética): Sem variantes no DNA nuclear; partilham apenas uma assinatura estável de metilação ao longo da vida.

Costuma ouvir esta teoria na sua família? Deixe nos comentários. 👇

27/08/2026

Afinal, o que aconteceu de novo neste estudo e por que razão a comunidade científica está em alerta?

O grande salto metodológico deste artigo reside no recurso ao base editing em vez da nuclease CRISPR-Cas9 tradicional. Enquanto o CRISPR convencional introduz quebras de cadeia dupla no ADN (double-strand breaks), que frequentemente desencadeiam inserções, deleções descontroladas ou aneuploidias cromossómicas graves, a edição de bases atua como um “lápis e borracha”: converte quimicamente uma única base nucleotídica noutra sem quebrar a dupla hélice.

Pontos essenciais a ter em conta:
1️⃣Edição no momento da fertilização: A intervenção foi realizada por microinjeção dos reagentes diretamente no oócito no momento da fertilização por ICSI, o que reduziu drasticamente o risco de mosaicismo embrionário (uma das principais barreiras em ensaios prévios).
2️⃣Ausência de efeitos off-target significativos: A equipa demonstrou alta precisão na introdução da variante protetora no gene PCSK9 e na hemoglobina, sem perda de integridade cromossómica observável nas fases iniciais de clivagem.
3️⃣A barreira do fenótipo complexo: Ao contrário do que algumas empresas de genómica comercial anunciam, traços como a altura ou o QI dependem de milhares de variantes genéticas com efeito diminuto somadas à influência ambiental; a ideia de selecionar ou “editar” inteligência não passa de hype sem fundamento biológico.
4️⃣Linha germinativa e ética: Qualquer modificação introduzida num zigoto ou embrião inicial passa a ser herdável para as gerações futuras. Por essa razão, os embriões do estudo não foram implantados, mas a prova de conceito reacende o debate regulatório sobre onde traçar a linha entre a prevenção de patologia grave e o melhoramento genético.

Qual é a sua opinião sobre o avanço desta tecnologia em embriões humanos? Deixe a sua perspetiva nos comentários.



Ledford, H., Basu, M., & Chen, E. (2026). First precise genome editing of human embryos triggers praise and alarm. Nature News (5 de junho de 2026).

Quando analisamos o genoma, a fronteira entre probabilidade e certeza assenta em dois conceitos fundamentais:Penetrância...
26/08/2026

Quando analisamos o genoma, a fronteira entre probabilidade e certeza assenta em dois conceitos fundamentais:
Penetrância Incompleta: Mesmo perante variantes patogénicas raras e de elevado impacto (como nos genes BRCA1/2 ou no Síndroma de Lynch), ter a alteração genética não é garantia matemática de doença. Significa que nem todos os portadores irão manifestar o fenótipo ao longo da vida.
Scores de Risco Poligénico (PRS): Na maioria das condições comuns (como a doença coronária, diabetes tipo 2 ou hipertensão), o risco não deriva de uma mutação monogénica isolada. Resulta do efeito cumulativo de milhares de variantes comuns (SNPs) dispersas pelo genoma. Um PRS elevado indica uma vulnerabilidade estatística acrescida, mas não um diagnóstico fechado.

A utilidade de conhecer estes mecanismos não reside no fatalismo, mas na medicina de precisão: antecipar idades de início de rastreio, orientar protocolos de vigilância clínica individualizada e modular fatores ambientais antes da expressão fenotípica.

O genoma estabelece probabilidades basais; a estratificação de risco permite transformá-las em ação preventiva.

24/08/2026

A ciência do mRNA não é uma novidade de última hora: são décadas de investigação dedicadas a uma das maiores revoluções da biotecnologia.

Para lá da sua segurança a nível genético, a grande vantagem desta plataforma é a modularidade. Como apenas precisamos de desenhar a sequência da molécula sem ter de cultivar vírus enfraquecidos ou bactérias, o processo de adaptação a novos agentes patogénicos (ou mutações celulares) é extremamente rápido.

A investigação clínica não pára e já existem dezenas de ensaios em fases avançadas para novas aplicações:
Oncologia personalizada: vacinas desenhadas à medida das mutações do tumor de cada doente (como ensaios de fase 3 para melanoma e ensaios clínicos para cancro do pulmão e pâncreas).
Vírus latentes e crónicos: ensaios para vírus de Epstein-Barr (EBV), Citomegalovírus (CMV) e VIH.
Outras infeções respiratórias e entéricas: vacinas combinadas (Gripe + COVID-19) e candidatos contra o Norovírus.
Doenças raras: terapêuticas de mRNA focadas na reposição enzimática em doenças metabólicas congénitas.
O mRNA não veio para reescrever o seu código genético, mas sim para reprogramar a forma como a medicina previne e combate doenças.

Qual destas aplicações futuras mais o(a) surpreendeu? Conte-me nos comentários! 💬

19/08/2026

A ciência mostra-nos que o TDAH não é um traço isolado: trata-se do extremo de uma distribuição contínua de características que existem em toda a população.
Grandes revisões genéticas, como a publicada por Faraone & Larsson na Molecular Psychiatry (PMC6477889), revelam factos essenciais:
•⁠ ⁠A arquitetura genética é predominantemente poligénica (milhares de variantes comuns de pequeno efeito somadas a variantes raras de estrutura cromossómica).
•⁠ ⁠Existe uma forte sobreposição genética (pleiotropia) entre o TDAH e outras condições neurodivergentes, como o Espetro do Autismo ou perturbações do humor.
•⁠ ⁠Estudos em gémeos e famílias confirmam que a persistência dos sintomas até à idade adulta mantém a mesma base biológica estável desde a infância.
Compreender as bases biológicas da neurodiversidade é o primeiro passo para combater o estigma e garantir diagnósticos rigorosos e atempados.
Já conhecia a dimensão biológica por trás do TDAH? Deixe a sua opinião ou partilhe este vídeo com quem precisa de desmistificar o tema!

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